This site will change soon to danielalabra.com

Daniel Senise. Antes da Palavra/ Before the word. Exhibit installing at Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, 2019.

Hi. This is the old blog-portfolio-ongoing project of art curator and critique Daniela Labra. This space started 15 years ago and now is time to move forward. Soon it will be replaced by danielalabra.com

At the moment I share my recent works which are online but also there are plenty of disordered material in this website if you have time to surf. Part of it are in Portuguese only.

My short Bio is updated at the section sobre/about

Thank you.

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Recent texts
Coletivos Brasil-Berlin. Revista Select 43. São Paulo, Julho de 2019
https://www.select.art.br/coletivos-berlim-br-se-poda-a-gente-brota/

Éder Oliveira: um homem Amazônico/An Amazonian man. Revista ZUM of contemporary visual art n.15. São Paulo, Jan.2019.
English version available at
https://revistazum.com.br/en/revista-zum-15/um-homem-amazonico/

That Naked Body: that intimate stranger. Revista Jacarandá n.6, Special Edition: Brazilian Art is under attack, 2018, p. 32
Download
http://www.jacarandamagazine.com/?page_id=65

More historical, critical or curatorial texts:
https://ufrj.academia.edu/DanielaLabra

Recent lecture
Talk with the artist Caio Reisewitz and book launch: Altamira. Artphilein Foundation. Milano, 2019.
At Friends with books Art Fair. Hamburger Bahnhof, Berlin.

Recent shows in Brasil

Daniel Senise. Todos os Santos. Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. 27.08 – 3.11.2019
https://www.institutotomieohtake.org.br/exposicoes/interna/daniel-senise-todos-os-santos

Daniel Senise. Antes da Palavra. Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre. 3.8 – 30.9.2019
http://iberecamargo.org.br/exposicao/daniel-senise-antes-da-palavra/

Andressa Cantergiani. Corva. Galeria Mamute, Porto Alegre.  April-June 2019
https://www.galeriamamute.com.br/corva

Actual collaborations

SESC São Paulo https://www.sescsp.org.br/

Revista Select, São Paulo
https://www.select.art.br/

Berlin based platform for socially conscious artistic practices & activist positions from Latin America
insurgencias.net

Revista Concinnitas. Instituto de Artes da UERJ. Rio de Janeiro
https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/concinnitas

Lecturer at nodecenter.net
https://nodecenter.net/lecturers

Art & Politics
https://nodecenter.net/course/art-and-politics

Curating Performance Art
https://nodecenter.net/course/curating-performance-art

Éder Oliveira, um Homem Amazônico (Éder Oliveira, an Amazonian Man)

REVISTA ZUM 15
Um homem amazônico
Éder Oliveira & Daniela Labra
Publicado em: 03 de janeiro de 2019

Um homem amazônico

Éder Oliveira (1983) é artista paraense. Recebeu o prêmio de arte Lingener, da Alemanha, em 2016, e o prêmio Pipa de Voto Popular em 2017.

Daniela Labra (1974) é curadora de artes visuais e crítica de arte.

Brazilian Art under Attack – Jacarandá #6

Jacarandá is a portuguese-english arts magazine published in Rio de Janeiro, Brazil. Its last number was edited by critic and curator Luisa Duarte and journalist Susana  Velasco. They invited different names from brazilian art milieu to present articles on the recent censorship and conservativism movement which have had attacked the contemporary arts in country since 2017. This is an actual discussion and urgent topic. Brazil is under attack in and outside the art system – and we must fight against this obscure hypocrisy.

With texts by: Suely Rolnik, Luiz Camillo Osório, Clarissa Diniz, Daniela Labra, Moacir dos Anjos, Frederico Coelho and others.

PDF here

Artigo Revista Arte & Ensaios 33, 2017

INTERNACIONALIZAÇÃO DA ARTE BRASILEIRA A PARTIR DOS ANOS 80 E A CONSTRUÇÃO DE HÉLIO OITICICA E LYGIA CLARK COMO REFERENCIAIS CANÔNICOS DESSA PRODUÇÃO ARTÍSTICA.

In: Revista Arte & Ensaios 33, 2017

Divulgação/Jornal O Globo

https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/view/11081/8690

 

Frestas Trienal 2017: Entre pós-verdades e acontecimentos

Frestas Trienal de Artes do SESC: Entre pós-verdades e acontecimentos/ Frestas Triennial: Between post-truths and events.

SESC Sorocaba, São Paulo, Brasil. De 12.8 – 3.12.2017

Curadoria geral – Daniela Labra
Curador assistente – Yudi Rafael
Curadoria educativa – Fabio Tremonte
Curadoria editorial – Ana Maria Maia e Julia Ayerbe

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Artistas: Teresa Margolles, Maria Thereza Alves, Andre Komatsu, Raul Mourão, On Kawara, Marco Lulic, Miro Spinelli, Guerrilla Girls, Daniel Senise, Hector Zamora, Reynier Leyva Novo, Georges Rousse, Celina Portella, Rafael RG, Gervane de Paula, Sergio Zevallos, Rafael Alonso, Hito Steyerl, Sandra Monterroso, Gustavo Speridião, Wanda Pimentel, Francesca Woodman, Daria Martin, Letícia Ramos, Marcius Galan, Dias & Riedweg, NUNCA, Panmela Castro, Daniel Escobar, Daniel Lie, Yvon Chabrowski e +

Frestas Trienal 2017: Entre pós-verdades e acontecimentos

A arte fura.

Esta edição de Frestas associa o nome do evento à noção de interstício: um espaço-entre cheio de sensibilidade e potência criativa transformadora, onde a ambiguidade e a indefinição de conceitos, formas e modelos é explorada de modo poético e crítico. Enquanto o existir nas cidades parece se reduzir a dígitos numéricos em cenários homogêneos de shoppings, conglomerados e condomínios, apostamos aqui na máxima “criar é resistir”, compreendendo a prática da arte e sua fruição como singulares vias propositivas libertadoras do contexto de exaltação da produtividade, competitividade, vigilância e espetacularização da vida.

Considerando que a natureza regrada e acadêmica da arte ruiu há tempos, refletimos sobre a impossibilidade de definir Verdade na obra contemporânea, e também discutimos as narrativas políticas sustentadas por memes e populismos midiáticos amparados em discursos morais e dogmáticos, que ganham força e constituem parte do contexto que a própria arte espelha e reage.

O título da mostra veio antes do termo pós-verdade ser indicado como o mais comentado na internet em 2016. O termo não é novo e seu germe já aparece em Verdade e Política (1967), de Hannah Arendt. Recentemente, ele se tornou protagonista no comentário político internacional, impulsionado pelo afã, de grandes publicações jornalísticas em disseminar, pela rede, opiniões como fatos consistentes que rapidamente ganham status de verdades.

Já a ideia de Acontecimento refere-se à natureza de uma Trienal, e a sua definição na antropologia e filosofia: Acontecimentos, sempre temidos e esperados, como um evento climático, militar ou político, que trazem o risco de um corte irreversível com o passado, marcando transformações profundas no curso histórico e social de comunidades.

Participam da mostra artistas de diferentes nacionalidades, gerações e linguagens, cujas obras trazem questões como ambiguidades formais; transdisciplinaridade; temporalidade; performatividade; gênero e sexualidade; crítica social e artisticidade. Mais da metade dos projetos são comissionados e inéditos, e ocuparão o edifício da Unidade além de vias públicas, outras instituições, lojas e ruínas históricas, criando circuitos de experiências estéticas instigantes entre o SESC e a cidade.

Daniela Labra

Daniel Lie. Passa Logo. Intervenção na arquitetura
Vista geral com instalação de Raul Mourão.
Vista geral com instalação de Sandra Monterroso e fotografia de Edson Barrus.
Vista geral com obras de Sandra Monterroso, Raynier Leiva Novo e Rafael Alonso.
Detalhe de obra de Georges Rousse.

Todas as fotos| all pictures: Matheus José Maria

Das Virgens em Cardumes e da Cor das Auras

Das Virgens em Cardumes e da Cor das Auras (On Virgins in shoal and the Colour of the Auras) – Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.  De 4.06.2016  a  31.01. 2017.

Curadoria: Daniela Labra

http://museubispodorosario.com/

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This exhibition was specially designed for the Museum Bispo do Rosário of Contemporary Art, located in the former psychiatric asylum Juliano Moreira Colony, Rio de Janeiro, and it brings together works by renowned Brazilian artists that investigates a performance or the performative, for an unusual and vigorous dialogue with the set of the work of Arthur Bispo do Rosario.
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Esta exposição foi pensada especialmente para o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, localizado na Colônia Juliano Moreira, Rio de Janeiro, e reúne obras de artistas brasileiros de reconhecida atuação que investigam a performance ou o performativo, para um diálogo incomum e vigoroso com o conjunto da obra de Arthur Bispo do Rosário. Foram selecionadas peças da coleção da instituição que fazem refletir sobre o lado místico, sacerdotal e performático de um homem que acreditou ter se tornado mensageiro da humanidade, e tomou como missão inventariar o mundo antes do seu Fim. Peças como o Manto da Apresentação, estandartes, faixas de Miss e indumentárias bordadas e colecionadas por Bispo, são apresentadas ao lado de fotografias, vídeos e instalações que dão novas leituras sensíveis ao legado desse artista fora dos padrões do sistema da arte. O título evoca a imagem fantástica das “virgens em cardumes”, anunciada em um de seus bordados confeccionados no asilo psiquiátrico, enquanto que “da cor das auras” remete ao tempo em que o interno interpelava a cor da sua aura aos visitantes da cela/ateliê que habitou, no Pavilhão 10 da Colônia Juliano Moreira.

Das Virgens em Cardumes e da Cor das Auras tem uma programação viva e experimental. Além da mostra, diferentes espaços do Museu e da Colônia receberão, por quatro meses, ações, workshops e residências artísticas. Convocando a obra de Bispo, o projeto se coloca como um desdobramento poético e crítico das suas visões de mundo, engendradas no meio em que viveu por 50 anos, de modo intermitente, onde era regra o confinamento de corpos e a anulação de subjetividades consideradas antissociais. Mais do que obras acabadas, os artistas convidados aqui envolvem visitantes do museu, pacientes psiquiátricos, moradores da região, estudantes e demais público interessado em arte e performance contemporânea, em processos de reconhecimento da arte na vida e vice-versa, promovendo atividades e experiências estéticas que podem ser tão instigantes quanto transformadoras.

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“Azul, azul, azul e azul”. Caminhada com casaco bordado por Bispo do Rosário. Performance de Eleonora Fabião e colaboradores.
Caminhada com o Manto da Apresentação, de Bispo do Rosário. “Azul, Azul, Azul e Azul”. Performance de Eleonora Fabião e colaboradores.
“Azul, azul, azul e azul”. Caminhada com o Manto da Apresentação de Bispo do Rosário. Performance de Eleonora Fabião e colaboradores.
“Sincretismo Sincronizado”. Instalação sonora de Ricardo Siri.
“Sincretismo Sincronizado”. Instalação sonora de Ricardo Siri.
Performance de Laura Lima_Foto Wilton Montenegro
Vista geral da exposição. Galeria 1 – Térreo

Depois do Futuro_ a mostra_After the Future_the show

Daniel Beerstecher
Daniel Beerstecher. Como explicar esse mundo para meu pássaro (WIE ICH MEINEM VOGEL DIE WELT ERKLÄRE).
2013. Still de video.

“Depois do Futuro” é um projeto de pesquisa que gerou seminário, cursos e uma exposição com caráter emergencial, elaborada em tempos de crise de proporções olímpicas no contexto do Rio de Janeiro e do Brasil.Os trabalhos apresentados tratam da falência institucional e do vazio político que predominam no presente brasileiro, e na realidade latino-americana, repleta de violência e injustiças desde a colonização. Ao mesmo tempo, há também proposições que elucubram questões como novos modelos de convivência, cooperação, criação e subsistência, os mesmos que na atualidade despontam pelo planeta em células apartidárias e mobilizadoras da sociedade civil. A arte se coloca, assim, como ferramenta sensível para uma percepção crítica do mundo, informando, educando e permitindo sonhar com futuros que não podem ficar para depois.

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“After the Future” is a research and exhibition project wich included a Seminar, courses and an exhibition with an emergency feature, prepared in Olympic proportions times of crisis in the context of Rio de Janeiro and Brazil. The show presents works which deals with the institutional failure and political vacuum that dominate the Brazilian present, and the Latin American reality, fulled of brutality and injustice since colonization. At the same time, there are proposals that consider issues such as new models of coexistence, cooperation, creation and subsistence, the same as today emerge around the planet in non-partisan and mobilizing cells of civil society. The art is placed thus as sensitive tool for a critical perception of the world, informing, educating and enabling to dream with futures that cannot come later.

Daniela Labra | Curadora visitante EAV Parque Lage/ Visitor curator at Parque Lage Visual Arts School

Artistas/Artists

Alice Miceli  | Amanda Copstein* | Ana Matheus Abbade* | André Queiroz* | Brenno de Castro* | Caroline Pavão* | Cristiano Lenhardt  | Daniel Beerstecher  |Daniel Escobar | Dani Ferreira*  | Emília Estrada* | Felipe Ferreira* |Fernanda Andrade* | Franz Manata e Saulo Laudares  | Gustavo Speridião  | Guto Nóbrega  | Irene de Andrés | Isis Passos* | Joana Csekö e Pedro Urano | João Paulo Racy* | Jorge Menna Barreto  | Julia Rometti | Laercio Redondo  | Lia do Rio  | Leonardo Herrera  | Manoel Manoel*  | Maria Thereza Alves  | Mariana Kaufman* | Pablo Lobato  | Pedro Victor Brandão | Ricardo Càstro  | Runo Lagomarsino  | Tamíris Spinelli  | Teresa Margolles  | Tiago Rubini  | Traplev  | Zé Carlos Garcia

Assistentes de curadoria: Aline Baiana Cavalcanti* e  Emília Estrada*

*estudantes/students EAV Parque Lage

Patrocínio: Itau Cultural. Apoio de pesquisa: CNPq/CAPES; ECO/Universidade Federal do Rio de Janeiro

TABLOIDE-1-português/entrevista com Lisette Lagnado e Daniela Labra

TABLOIDE-1-english/Conversation between Lisette Lagnado and Daniela Labra

A partir da esquerda, obras de Teresa Margolles Leonardo Herrera, Amanda Copstein e Manoel Manoel
A partir da esquerda, obras de *from the left works by) Teresa Margolles, Leonardo Herrera, Amanda Copstein e Manoel Manoel. Photo: Pedro Agilson
A  partir da esquerda, obras de Tiago Rubini, Guto Nóbrega, Franz Manata/Saulo Laudares, Runo Lagomarsino e Tamiris Spinelli
A partir da esquerda , obras de (from the left works by) Tiago Rubini, Guto Nóbrega, Franz Manata/Saulo Laudares, Runo Lagomarsino e Tamiris Spinelli. Photo: Pedro Agilson

 

Obra de Daniel Escobar
Daniel Escobar. Lançamento-Liquidação (Launch-Sale off). 2015. Photo: Pedro Agilson
Lia do Rio. Intervenção. 2010-2016. Photo: Pedro Agilson
Lia do Rio. Intervenção com folhas (intervention with natural leaves). 2011-2016. Ao fundo: Daniel Escobar. Lançamento-Liquidação (Launch-Sale off). Photo: Pedro Agilson

Links: http://oglobo.globo.com/cultura/artes-visuais/mostra-no-parque-lage-faz-reflexao-sobre-futuro-18801608

http://brasileiros.com.br/2016/02/exposicao-no-parque-lage-discute-nocao-de-futuro/

Video: http://arte1.band.uol.com.br/sobre-o-futuro/

Casa Daros: Ficción y Fantasía em uma metrópole tropical

Marta María Pérez Bravo. “No zozobra la barca de la vida”, 1995
Marta María Pérez Bravo. “No zozobra la barca de la vida”, 1995

Quando a Casa Daros chegou no Rio, em 2007, o então diretor de arte-educação e pesquisa, o cubano Eugênio Valdés, afirmava que o projeto enfatizaria o lado pedagógico da arte, entendida como necessária para a formação e integração humana. O programa da futura instituição teria residências, intercâmbios, ateliês, cursos e seminários, além de exposições da coleção Daros Latinoamerica, o maior acervo privado de arte contemporânea latinoamericana na Europa, pertencente à milionária suíça Ruth Schmidheiny. Diante do nosso cenário institucional pobre e engessado, a Daros seria uma instituição de alto nível com programação de qualidade e oportunidades para o ensino artístico e a profissionalização do meio.

Durante 6 anos de reformas, a Casa Daros, sob a tutela de Valdés, fez boas atividades sócio-educativas e artísticas a portas fechadas, até inaugurar em 2013 com ênfase no programa de arte e educação, que envolveu e preparou bons profissinais do ramo, tendo realizado diferentes atividades públicas. Em menos de 3 anos foram realizadas algumas mostras, todas com curadoria do suíço Hans Michel Herzog, e encerraram-se de sopetão as atividades do espaço sob argumentos do Conselho administrativo da coleção, que contradizem o discurso pedagógico do início. Ao invés de uma ação edificante, o que se viu foi um incrível desinteresse repentino em investir socialmente na região que intitula a coleção: a América Latina.

Sequer a biblioteca, com 7mil títulos, em parte espelhada na original suíça, ficará. Por exigências de eficiência na catalogação e pronta visibilidade pública, o Conselho doará o acervo inestimável ao Metropolitan Museum de Nova Iorque, em um gesto de desrespeito com estudantes, artistas, pesquisadores e públicos latinoamericanos. Se a Sra. Schmidheiny desejasse, não teria problemas em montar – e por que não manter? – um pioneiro centro de referência em arte contemporânea latina no trópico. Mas isso não ocorreu e, ironia, o colégio de elite previsto para ocupar o casarão desprezou a chance de ter os livros. Assim, seguimos obrigados a recorrer aos EUA e Europa para pesquisarmos profundamente nossos processos culturais, tão marcados pela mão colonizadora.

A ótima coleção de arte, construída pelo curador Hans Michel Herzog, tem conjuntos de Antonio Dias, Ana Mendieta, Los Carpinteros, Luiz Camnitzer entre outros, cujas poéticas engajadas, conceituais e contundentes não têm empatia com a atitude irresponsável da Sra. Schmidheiny e seu Conselho.

Desmontada como um negócio caro, a Casa Daros não cumpriu seu papel, apesar dos esforços de todos os profissionais de alto nível que estiveram envolvidos. Com a desaparição da biblioteca, em pouco tempo a luxuosa instituição será lenda urbana: uma empreitada excêntrica e colonialista, insustentável, que poderia ter gerado grandes frutos no mundo. Seu legado sócio-cultural será apagado logo, restando alguns bons eventos e  exposições nem sempre boas, na memória de quem viu.

*Publicado em Jornal O Globo, Segundo Caderno, 11/12/2015.

 

Marco Paulo Rolla – Cotidiano Radical

Pic Nic. Foto: Marco Paulo Rolla
Pic Nic. Foto: Marco Paulo Rolla

A Caixa Cultural, no Centro do Rio, exibe a primeira individual do mineiro Marco Paulo Rolla, um nome importante para a arte brasileira contemporânea, em especial aquela que explora a interdisciplinariedade entre distintos campos artísticos. No caso deste artista, sua atuação variada pode ser compreendida como multimídia, uma vez que sua poética é construída sobre diversos suportes e linguagens, da escultura à performance, da pintura e desenho ao vídeo-registro.

“Cotidiano Radical” tem curadoria da pernambucana Cristiana Tejo, e reúne trabalhos realizados entre 1990-2005 – contando com a reencenação da performance “Café da Manhã”(2001-2015) na abertura, deixando o visitante curioso em saber quais caminhos artísticos foram tomados por Marco Paulo recentemente. No entanto, o conjunto apresentado é de grande beleza plástica e profundidade existencial/conceitual, sendo exibido de modo coerente e bem montado, capaz de driblar o problemático chão de pedra da galeria, muito chamativo, que frequentemente interefere no ambiente das exposições ali colocadas.

A mostra tem trabalhos raros como colagens fotografadas em preto e branco do início dos anos 90, e as pinturas e colagens sobre tela da mesma época, como “A Batedeira” (1991), de visualidade Kitsch e Pop, possuidoras da verve humorada, ácida e melancólica do artista, cuja atuação se destaca no meio da performance arte, também como curador e professor. Nas palavra da curadora, “a ambiência da obra de Marco Paulo Rolla é inspirada no barroco: cores quentes, dramaticidade, luz…”.

De fato, as obras selecionadas transmitem tanto o lado barroco da obra de Rolla como uma sensação de quase-escatologia e escárnio presentes nos registros da performance “Canibal” (2004) e nas instalações com porcelana e elementos orgânicos reais, como “Pano de Mesa” ou “Pic Nic”, ambas de 2000. Na primeira, uma realista toalha de mesa em porcelana está encharcada de vinho verdadeiro entornado desde uma taça, enquanto que na outra detalhes como cascas e restos de tangerina em porcelana disputam, sobre uma toalha também em cerâmica, a realidade da cena com cebolas reais e mais vinho – que apodrecem enquanto as esculturas permanecem frescas. Marco Paulo Rolla propõe um diálogo entre vanitas e a perenidade da matéria inerte, em esculturas constituídas de objetos do mundo, biscuit e alimentos como geléia, que reproduzem eventos passados cuja visualidade e temática são inspiradas nas naturezas-mortas de mestres da pintura. As peças confundem a percepção ganhando corpo no imaginário do público, e se colocam como reflexão sobre os limites da representação e da ficção na vida ou na arte. Para além de discutir os suportes e materiais que utiliza Rolla discute o tempo de duração das coisas, e estampa “uma ironia e uma crítica ao fetiche capitalista do consumo”, segundo Cristiana.

“Cotidiano Radical” comenta lírica e criticamente o banal das nossas rotinas cansativas e aparentemente sem sentido. A mostra é um todo coeso, com trabalhos cheio de detalhes a serem explorados. Não há excesso nem falta de assunto, trata-se de uma individual redonda, fruto de uma parceria entre uma curadora e um artista conhecidos pelo cuidado com que levam à público suas produções.

Canibal Foto Ding Musa
Canibal. Registro de performance. Foto: Ding Musa

Publicado em Jornal O Globo, Segundo Caderno, Novembro de 2015.