July 14, 2014

Arte Brasileira de Quem?

Arte Brasileira de Quem?*

Na Copa as ruas ficam cheias de verde-e-amarelo e o brasileiro orgulha-se de sua nacionalidade. Futebol, dizem, é coisa nossa e o estilo do Brasil é ainda distinto. Em artigo recente neste caderno, Arthur Dapieve citava a importância que geralmente é dada no meio cultural à nacionalidade de uma obra ou autor, para então comentar como no esporte é nostálgica a noção de um estilo nacional de jogar. Uma vez que nos anos 1980 a globalização internacionalizou o mercado de trabalho e os times, os estilos foram se homogeneizando, e hoje insistir em um futebol à brasileira não faria mais sentido posto que pode-se, por exemplo, encontrar características sul-americanas em jogadores europeus e vice-versa.

Nas artes, a questão de uma identidade nacional pode trazer discussões parecidas. Em um sistema cultural globalizado que assiste à mistura e homogeneização de estéticas desde o final dos anos 1980, apontar características exclusivas da arte brasileira é no mínimo complicado. (Continua…)

Jonathas de Andrade. "40 Nego Bom é 1 real". 2013.

Jonathas de Andrade. “40 Nego Bom é 1 real”. 2013.

* Originalmente pulbicado em O Globo, Segundo Caderno, 30/06/2014.

June 3, 2014

Artista vende anúncio em Outdoor instalado dentro de Centro Cultural

Na sua individual no Santander Cultural de Porto Alegre, intitulada “Seu lugar é Aqui, Seu momento é agora”, o artista gaúcho Daniel Escobar comenta em várias instâncias o modo operacional da publicidade, com suas táticas de manipulação dos desejos individuais e coletivos. Iniciando com um comentário sobre a especulação imobiliária, o artista se aprofundou no fascinante mundo fictício da propaganda e resolveu ele próprio orquestrar uma operação comercial publicitária dentro da exposição. Assim, instalou um outdoor de 9m x 2,80 m  para alugá-lo por temporadas, enquanto a mostra estiver em cartaz. “Anuncie Aqui” é o nome do projeto, e abaixo segue o teaser de promoção do negócio. Uma rara oportunidade para pessoas exigentes que buscam a atenção de um público VIP…

Exposição “Seu lugar é Aqui, Seu momento é agora” de Daniel Escobar
Curadoria Daniela Labra

May 22, 2014

Fresh Milk, Barbados, oferece residência

22_fresh-milk-studio

A plataforma independente Fresh Milk, localizada em Barbados, procura promover a arte contemporânea do Caribe em relação a realizadores de todas as partes do mundo. Com instalações muito aconchegantes, é uma das residências mais interessantes do arquipélago caribenho. Atualmente estão abertas inscrições para residências de no mínimo 4 semanas, pagas pelo participante.

Mais info: http://freshmilkbarbados.com/international-residency-opportunity/

May 7, 2014

Fotografo, Logo Vivencio

Mona-Lisa-at-the-Louvre-w-008

Ao chegar na exposição do escultor australiano Ron Mueck no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o visitante se surpreende com a apurada técnica do artista e com a multidão acotovelada para ver e fotografar os seus prodígios hiper-realistas. No grande salão, pessoas que até há pouco não sabiam quem era Mueck e muito menos o que acontecia no Museu, empunham câmeras e celulares para captar, vorazes, imagens dos trabalhos e selfies atropelando quem tenta apenas apreciar as obras.

Se o enorme público estreante no MAM é um fato novo e positivo, pessoas fotografando a si ou a conhecidos diante de trabalhos de arte já não são novidade. Dentro ou fora do espaço expositivo é fácil comprovar que câmeras digitais e smartphones não só popularizaram o ato fotográfico como fazem-no parecer um gesto necessário para desfrutar a vida. No caso de exposições, onde encontra-se lazer associado a reflexão e conhecimento por meio do contato sensível, intelectual e até físico do espectador com a obra, tento imaginar o que os visitantes desejam capturar com suas lentes e como essa mediação digital transforma a experiência estética in loco. Entendo que a natureza de muitas mostras tem apelo publicitário e espetacular, estimulando a incontinência fotográfica, mas observo que o excesso de registros substitui o processo, hoje difícil, de postar-se atentamente diante de um objeto artístico para apreendê-lo na sua forma e conteúdo. Afinal, uma obra de arte não se esgota na visão rápida. (Continua…)

*texto publicado em O Globo, em 5/05/2014

 

May 5, 2014

O Espectador Emancipado

obra de luiz gonzales palma, 2007

obra de luiz gonzales palma, 2007

Neste texto fundamental Jacques Ranciére discute o teatro na contemporaneidade. Ao pensar as artes cênicas no contexto da sociedade do espetáculo, o filósofo lança uma análise que de certo modo se encaixa nas artes plásticas.

Qual é a essência do espetáculo na teoria de Guy Debord? É a externalidade. O espetáculo é o reino da visão. Visão significa externalidade. Agora, externalidade significa a desapropriação do próprio ser de uma pessoa. “Quanto mais um homem contempla, menos ele é”, diz Debord. Isto pode soar antiplatônico. É claro que a principal fonte para a crítica do espetáculo é a crítica da religião de Feuerbach. É o que sustenta aquela crítica – a saber, a idéia romântica da verdade como inseparabilidade. Mas esta própria idéia se mantém de acordo com o descrédito platônico quanto à imagem mimética. A contemplação que Debord denuncia é a contemplação teatral ou mimética, a contemplação do sofrimento provocado pela divisão. “A separação é o alfa e o ômega do espetáculo”, escreve. Aquilo que o homem contempla neste esquema é a atividade que lhe foi roubada; é a sua própria essência que lhe foi arrancada, que se tornou alheia, hostil a ele, que consente com um mundo coletivo cuja realidade não é nada além da desapropriação mesma do homem.

Tradução de Daniele Avila para a revista digital de assuntos do teatro Questão de Crítica:

http://www.questaodecritica.com.br/2008/05/o-espectador-emancipado/

April 3, 2014

¿De qué hablamos cuando hablamos de resistencia?

3nós3 1979 Ensacamento de Cabeças de Monumentos 1979 SP

3nós3, Ensacamento de Cabeças de Monumentos, São Paulo, 1979.

¿De qué hablamos cuando hablamos de resistencia? é um ensaio de Néstor Garcia Canclini onde o autor analisa aspectos da recepção da arte contemporânea nas instituições culturais e na sociedade, ao mesmo tempo em que questiona certa inconsistência no modo como a noção de resistência é defendida por artistas e outros profissionais do sistema artístico e cultural. Canclini observa que enquanto noções como Capitalismo, Pós-colonialismo e Globalização são debatidos e confrontados com argumentos sólidos, a idéia de resistência surge em contraposição como algo quase mágico e heróico, sendo parcamente analisada.

Diante desse quadro, o autor discute como a arte pode ser politicamente eficaz na sociedade, e faz um contraponto à visão de arte e política de Jacques Ranciére.
Texto em espanhol.

Disponível em  http://nestorgarciacanclini.net

April 2, 2014

www.archieveactionart.org

archieve action.art é um arquivo material de livros, catálogos e folhetos de exposições, cartazes e material audiovisual relacionado com a ação. action art é uma investigação em si mesma, que tem forma de magazine electrônico. Estrutura-se em três àreas: a performance, a manifestação e a fragmentação. Em cada área se encontrarão artículos, artistas, entidades, eventos e bibliografia. Em espanhol.

http://www.archieveactionart.org/

November 8, 2013

Performance: modos de estar e transformar

fernanda_magalhaes

Fernanda Magalhães. ¨A Natureza da Vida – Bosque Central Londrina, Madona¨, 2011 (fotografia)

Performance: modos de estar e transformar*

Em 1989, o diretor teatral Renato Cohen (1956-2003), lançava o pioneiro livro ¨A Performance como Linguagem¨, onde investigava elementos performáticos nas artes, desde a perspectiva do teatro experimental. Ele comentava sobre arte conceitual, o punk, body art, happenings, xamanismo, psicologia, antropologia e semiótica, dando dimensão das diversas referências e complexidade da linguagem performática. Sua abordagem seguia o pensamento do também diretor e teórico estadounidense Richard Schechner, que já nos anos 1970 discutia o ato de ¨performar¨ como sendo algo inerente ao ser humano em convívio social. Assim, ele apontava que uma cerimônia de candomblé, um batismo, uma manifestação, um ritual marajoara, um reality show, um jogo, tudo é ou contém performance.

Como linguagem na arte, a performance tem portanto a matéria prima nos ¨modos de agir¨ do homem em sociedade: dos atos solenes aos mais banais, como escovar os dentes, tudo possui potencial estético e narrativo. A performance procura iluminar gestos naturalizados pela rotina, para que sejam ressignificados e alcancem uma dimensão poética e crítica, dentro e fora dos espaços convencionais da arte. Ela se apresenta como ações que tentam se aproximar ao máximo do mundo ¨real¨. Um exemplo seria alguém fritando um ovo em um fogareiro no meio do museu ou na calçada: algo que dependendo da intenção e do contexto, pode ser arte ou não. A performance é a arte da fricção com a vida e, em qualquer àrea que se coloque, instiga pelo seu hibridismo e polissemia, sendo uma via para questionar disciplinas engessadas, desconstruindo estruturas e padrões estabelecidos.

* texto publicado em Jornal O Globo, Segundo Caderno, 4/11/2013 sob o título de ¨Luz nas Trevas¨

+  continua…

 

October 31, 2013

Delírios tropicais

luiz zerbini 2012

Luiz Zerbini
Acrilica sobre tela
2011

Transnational Dialogues 2014 – Europe China Brazil

Para quem tem entre 21-35 anos:

Call for Participants to Join Transnational Dialogues 2014 – Europe China Brazil

You can now apply to join Transnational Dialogues 2014, through which you could be exposed to some of the most interesting cultural and social figures and institutions from Europe, China and Brazil, taking part in research caravans, networking activities, and working together with young creatives from the three continents.

Started in 2011 by European Alternatives, Transnational Dialogues facilitates artists, creatives, professionals, intellectuals and writers from different continents to come together for a series of exchanges and co-productions in both physical form and online. The platform promotes sharing of information, networking, and conceptual collaboration between individuals and organisations working in a variety of disciplines transnationally, and offers a trampoline for future collaborations and initiatives.

In 2014, Transnational Dialogues: Change Utopia will bring forward a specific collaboration between Europe, China and Brazil, coordinating young creatives from the three continents to reflect and create together in a year-long process of networked-production, a multilayered exchange and mix of virtual collaboration, meetings, seminars and research caravans that outline a new transnational model of cross-mediatic and cross-national production.

We are now accepting applications on a rolling basis until the places are filled or in any case no later than Friday 22nd November 2013.

http://www.transnationaldialogues.eu/news/2013/call-for-participants-to-join-transnational-dialogues-2014-europe-china-brazil/