Arte x Gênero x Política x Moral religiosa

… Na arte, preceitos religiosos introjetados na sociedade como dogmas muitas vezes são questionados por artistas que acreditam que, em pleno século XXI é mais saudável defender a tolerância e as liberdades individuais do que submeter-se a regras morais impostas por religiões. Na atualidade a religião volta a incitar guerras, ódios, perseguição às minorias étnicas e repressão às mulheres – tal como na Idade Média. Artistas interessados em discutir questões de gênero são os que mais apontam para os problemas da ditadura moral das religiões, mas não só. A seguir, algumas imagens de obras que fazem refletir sobre o tema.

Leon Ferrari. La civilización occidental y cristiana, 1965.
Leon Ferrari. La civilización occidental y cristiana, 1965.
Leon Ferrari. La civilización occidental y cristiana, 1965.
Leon Ferrari. La civilización occidental y cristiana, 1965.

Women Artist 003
Mary Beth Edelson. Last Supper. 1972

Christa_1975
Edwina Sandys. Christa, 1975

Shirin-Neshat-Rebellious-Silence
Shirin Neshat. Rebellious Silence, 1994

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Marcia X. Desenhando com terços. Performance e Instalação, Anos 1990.

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Andres Serrano. Piss Christ, 1987

Orlan. Santa Orlan. Déc. de 1990.
Orlan. Santa Orlan. Déc. de 1990.
Orlan. Santa Orlan. Déc. de 1990.
Orlan. Santa Orlan. Déc. de 1990.

Re.act feminism

re.act.feminism – performance art of the 1960s and 70s today
Exhibition, video archive, live performances and conference.

Exposição que documenta trabalhos performáticos de 24 artistas espalhados por duas gerações. As obras selecionadas refletem a intenção curatorial de estender a perspectiva além do cânone do familiar e conhecido, no sentido de demonstrar a diversidade e complexidade das estratégias performáticas (feministas). Isto inclui movimentos de performance no Leste e Sudoeste Europeu, bem como na Alemanha Oriental (desde 1980), onde frequentemente se desenvolveram paralelos com a arte independente do “Ocidente”.

“The exhibition documents performative works from 24 artists spanning across two generations. The selected works reflect the curators’ intention to extend the perspective beyond the canon of the known and familiar in order to demonstrate the diversity and complexity of (feminist) performative strategies. This includes performance movements in Eastern and South Eastern Europe as well as the former GDR (since the beginning of the 1980s), which often developed parallel to and independent of “Western art”.”

A project by cross links e.V., curated by Bettina Knaup and Beatrice E. Stammer
Produced in partnership with Akademie der Künste, Berlin

http://www.reactfeminism.org

Sarah Maple

Fighting Fire With Fire, 2008

http://www.sarahmaple.com/

MICRO-SAIA JÁ!!!!

O Brasil é um país estranho, muito estranho…  O caso de Geyse, a jovem atacada e achincalhada, e que agora finalmente foi expulsa do curso de turismo da UNIBAN, não seria tão bizarro se não fosse o Brasil um país supostamente laico e dado a todo tipo de despudoramento por exemplo, durante a maior festa da carne do mundo, o Carnaval Nacional.

Tetas e bundas transbordam das capas de jornais e telejornais nos horários mais nobres durante o período momesco, mas durante os outros 360 dias do ano, o brasileiro é falso-moralista até o último fio de cabelo. Somos contra tudo que é pecaminoso e horrível: contra o aborto, contra o uso de células-tronco (esse safou-se por pouco), contra o casamento gay, contra a adoção de crianças carentes por casais gays, contra a legalização da popularíssima e rentável maconha, mas somos a favor das armas em mãos civis – que é prá todo o mundo poder matar o bandido na hora do assalto.

No Brasil tem prostituição infantil a rodo, enquanto que nossas meninas aprendem a rebolar de shortinho, se maquiar direitinho e a usar saltinhos, antes mesmo dos 6 anos de idade. Os meninos aprendem que homem não chora, que mulher é tudo cachorra e que um tapinha não dói. E assim a gravidez acontece, de pai desconhecido, antes dos 14 anos. Nas escolas de ensino podre e pedagogia anacrônica, ter aula de educação sexual e direitos humanos é luxo.

E no meio desse cenário estranho a Geyse, uma universitária de 20 anos, usando vestido sensual, é acusada de seduzir meia faculdade ao causar alvoroço nos garotos, seus colegas de classe média, que estavam doidos prá pegar “aquela vagabunda”. A imoral aluna foi expulsa desse templo de decoro que é a UNIBAN, instituição de ensino superior na caipira São Bernardo do Campo, São Paulo.

Conheço uma mulher, hoje com 70 anos, que quando jovem foi estuprada por dois colegas que lhe deram uma carona. Eles mesmo disseram que não a respeitariam por que, afinal, ela era muito extrovertida e brincalhona – e isso só podia ser sinal de que ela estava afim de dar.

Para a aluna da UNIBAN, parece que a lição ainda é a mesma: Em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, o advogado da reitoria da Uniban, Décio Lencioni Machado, disse que a aluna “sempre gostou de provocar os meninos. O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar”.

A mulher estuprada tornou-se anos depois uma intelectual, militante feminista pró-aborto. E à aluna atacada, chamada de puta por um coro de uns 500 jovens entre homens e mulheres, qual poderá ser o seu futuro?

Geyse, querida, a você só resta botar a boca no trombone vestindo a roupa que quiser.  Micro-saia já!!!

Petição:

http://www.petitiononline.com/unitalib/petition.html

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EM São Paulo

SAIA
CHAMADA ABERTA

Ação de repúdio à animalice sexista, ou o estopim da barbárie.
http://www.youtube.com/watch?v=e0iZmImcuNg

No dia 13, pretendemos agrupar o maior número de mulheres e homens trajando
minissaias com uma pequena aparelhagem de som portátil e realizar ações
estéticas junto ao campus da Universidade dos Bandeirantes. Devido à existência
de catracas, pretendemos utilizar ou dos botecos da rua ou ligar aparelhagem
direto de um automóvel (alguém descola um gerador?)
Algumas canções já foram cotadas para a discotecagem, tais como “Geni e o
Zepelim” de Chico Buarque e a obra completa da MC Chuparina entre outras para
enaltecimento da delicadeza e da putaria.

POR FAVOR TRAGAM PANFLETOS, POSTERS, TEXTOS, SONS, MINISSAIAS, FOTOS, CORPOS E
ENERGIA.

SEXTA-FEIRA 13 em homenagem a todas as bruxas.

LOCAL DO CAMPUS:
Av. Dr. Rudge Ramos, 1.501 São Bernardo do Campo
http://maps.google.com/maps?f=q&source=s_q&hl=pt-BR&geocode=&q=Av.+Dr.+Rudge+Ram\
os,+1.501+S%C3%A3o+Bernardo+do+Campo&sll=37.0625,-95.677068&sspn=33.352165,79.01\
3672&ie=UTF8&hq=Av.+Dr.+Rudge+Ramos,+1.501+S%C3%A3o+Bernardo+do+Campo&hnear=&rad\
ius=15000&ll=-23.657104,-46.569414&spn=0.009414,0.01929&z=16

CONTARDO CALLIGARIS

A turba da Uniban

NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: “Pu-ta, pu-ta, pu-ta”.
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um “justo” protesto contra a “inadequação” da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre “vendido”) de duas maneiras fundamentais: “veados” e “filhos da puta”.
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, “veados” e “filhos da puta” são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: “veado”, nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos “veados”, por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser “usados” por seus ofensores. “Veado”, nesse insulto, está mais para “bichinha”, “mulherzinha” ou, simplesmente, “mulher”.
Quanto a “filho da puta”, é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. “Puta”, nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de “querer”? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de “Zorba, o Grego”, com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

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I ENCUENTRO X0y1 SOBRE GÉNERO Y CIBERESPACIO

Centro Andaluz de Arte Contemporáneo, Sevilla, España.
del 26 al 30 de octubre de 2009

El propósito del I Encuentro X0y1 será abordar las relaciones entre las prácticas discursivas y artísticas sobre género e Internet, desde diferentes teorías políticas y crítico-sociales que reflexionan sobre la construcción cultural de la diferencia sexual y la sociedad en red.

PROGRAMA:
Participarán: Donestech, Al Cano, Marta Madrid, Corpus Deleicti, Milagros Belgrano Rawson, SurTV, Christina McPhee, Annita Serrano y Anna Sala, Manuela Acereda y Aida de Prada, Toxic Lesbian, Cristina Buendía, Julio Fernández y Zaida Gómez, Mª José Rivas, Emilio J. Gallardo y Carmen Serrano, L’Aranya, Flavio Escribano, Dones Llop, Silvia Corti y Lilia Villafuerte, Iolanda Tortajada, Núria Araüna, David Domingo y Cilia Willem, Rosa Perez (Fluido Rosa, radio3, RTVE).

Conferencias: Montse Boix, Remedios Zafra, Margarita Padilla y Silvia Tubert.

Talleres: #_Construcción de la atracción sexual en el ciberespacio; #_Wikiproyecto: Ciencia, tecnología y género; #_Culinaria Hacker I: streaming express para la mujer moderna. Del do it yourself al do it together!; #_Teatro de las oprimidas. Del espacio escénico al ciberespacio; #_Gender-ArsGame; [email protected] – taller de web radio participativa de contenido postpornográfico; #_Libertad en las relaciones sexoafectivas y de parentesco; #_Culinaria Hacker II: Horneado experimental y degustación colectiva-en vivo.

+ info   http://www.x0y1.net