Performance Presente Futuro Vol. 2
Oi Futuro, Rio de Janeiro
Visitação pública: 11, 12, 13 de setembro 2009
Entrada Franca
Curadoria: Daniela Labra
Realização: Oi Futuro
Patrocínio: Oi
Produção: Automática
Oi, Futuro apresenta “Performance Presente Futuro Vol. 2”, a segunda edição do evento interdisciplinar dedicado à multiplicidade da arte da performance e sua integração com ciência e tecnologia. Com curadoria de Daniela Labra, o evento deste ano será realizado nos dias 11, 12 e 13 de setembro próximo, com trabalhos inéditos dos artistas Yukihiro Taguchi, japonês radicado em Berlim, e os brasileiros Alexandre Sá, Daniela Mattos, Chico Fernandes, Fernando Salis, Brígida Baltar, Chris Bierrenbach e Marcio Shimabukuro. Participarão ainda como palestrantes os americanos Vito Acconci – artista com atuação emblemática desde os anos 1970 – e Bill Brown, um dos integrantes do Surveillance Camera Players, grupo que interage com câmeras de vigilância instaladas em espaços públicos, e a catarinense Regina Melim. Haverá ainda um workshop com Bill Brown.
As apresentações serão feitas no quarto piso do Oi Futuro, com ações ao vivo, videoinstalações performáticas, workshops e palestras de artistas. Os trabalhos são apoiados em tecnologias diversas, e “refletem as possibilidades da expressão humana quando ampliada por dispositivos mecânicos, eletrônicos e digitais”, observa a curadora Daniela Labra.
“As propostas exibidas nesta mostra são fruto da vontade dos artistas em compreenderem nossa humanidade e lugar num mundo que se quer mais tecnológico”, explica. “Por outro lado, buscam também uma relação harmônica, ainda que crítica, com a ferramenta midiática que manipulam”. Os recursos tecnológicos tanto podem ser usados como acessórios intrínsecos à obra, quanto serem a própria temática do traballho.
A idéia deste projeto é ampliar, contribuir para o debate e divulgar a arte performática nacional e internacional no Brasil. Todas as atividades ficam concentradas na Galeria 4 do Espaço Oi Futuro, obedecendo a uma ordem de programação para que nada se sobreponha. Com exceção de vídeos exibidos continuamente, as atividades têm horários intercalados, de modo que o espectador possa acompanhar uma atividade por vez.
Lançar em paralelo o livro Performance, Presente e Futuro – Volume II, organizado pela curadora Daniela Labra, com artistas e colaboradores diversos.
Performances – Breve Histórico
Daniela Labra explica que se pode situar o aparecimento da arte da performance, como linguagem artística interdisciplinar entre o teatro e as artes plásticas, já no Futurismo e no Dadaísmo. Nos anos 1960 até meados da década de 1970, essa linguagem, que lida com ações ao vivo, explode em intensa produção e se institucionaliza, denominando-se então performance, happening, body-art ou arte corporal. Nos anos 1980 e 1990, a performance se manteve sempre presente, embora sofrendo certa dramatização inclusive no meio das artes visuais. . Nos últimos 10 anos, esta prática artística vive uma retomada, tornando-se, atualmente, uma das mais pesquisadas por artistas jovens que procuram formas de abordar o mundo real e testar os próprios limites entre a arte e a vida.
Por envolver elementos orgânicos em seu processo – o corpo do artista; o tempo da ação; as participações intelectuais, emocionais e físicas do público, entre outros – a arte da performance modifica o conceito tradicional das artes visuais e redimensiona outras práticas, como o teatro e a dança.
A pesquisa em performance nos últimos 20 anos tem se aproximado de outras áreas de interesse como a bioengenharia, a informática, a medicina, as tecnologias da comunicação, o videomaking, a fotografia, a composição sonora, o ativismo, entre outros. Apoiando-se em recursos destas e de outras áreas, artistas performáticos vêm testando os limites do próprio corpo e também das narrativas temporais de suas ações, desvelando discursos quase sempre políticos, filosóficos, científicos.
ARTISTAS/PERFORMANCES
* Vito Acconci
Palestra: “Das palavras para a ação para a arquitetura”.
Suas performances dos anos 70 ajudaram a transpor a arte do objeto para interações entre artista e espectador; suas instalações lidavam com os visitantes da galeria ou museu não como espectadores, mas como habitantes e participantes de um espaço público. Por volta do final dos anos 80 seu trabalho já ultrapassara tais fronteiras, e ele fundou o Studio Acconci; suas operações eram originárias do pensamento computadorizado e de modelos matemáticos e biológicos – tratando arquitetura como ocasiões para atividade – tornando os espaços fluidos, mutáveis e portáteis. Recentemente uma ilha artificial em Graz, uma loja de roupas em Tóquio e uma estação de metrô suspensa em Coney Island foram finalizadas. Em breve o perímetro de uma construção em Toronto e uma rua atravessando um prédio em Indianápolis serão iniciados. Encontram-se em processo de construção um edifício de três andares em Milão, um sistema de pontes e parque perto de Delft e um anfiteatro em Stavanger, Noruega.
* Bill Brown/ Surveillance Camera Players
Nascido em Nova York em 1959, Bill Brown é escritor, tradutor e ativista político. Em 1996, fundou junto com outros integrantes o Surveillance Camera Players (SCP) em Nova York. Hoje, o SCP é um dos principais grupos antivigilância no mundo de língua inglesa. O grupo tem realizado apresentações em diversos países na Europa e inspirou a formação de SCP na Suécia, Turquia, Itália e Grécia.
Descrição da palestra: “The Surveillance Camera Players: De 1996 até hoje”.
Conta a história e as atividades do The Surveillance Camera Players de 1996 até hoje. Performances, mapas de localização das câmeras, visitas guiadas, lidar com os meios de comunicação e viagens internacionais. Esta apresentação será acompanhada por um vídeo de oito minutos de duração do SCP desempenhando uma performance sobre o trabalho “Nineteen Eight-Four”, de George Orwell.
* Yukihiro Taguchi
Nasceu em 1980 em Osaka, Japão, e mora em Berlin desde 2005. Atualmente apresenta instalações e trabalhos performáticos utilizando a técnica de stop motion para destacar movimentos corporais em diversas exposições, principalmente na Alemanha. Em 2008, ganhou um prêmio por excelência no Japan Media Arts Festival em Tókio.
Performance: Num espaço público da cidade do Rio de Janeiro, duas pessoas, brasileiras, que não se conhecem, estão posicionadas a 100 metros de distância uma da outra, e tentam se comunicar tendo como intermediário o artista. Ele leva informação de um lado a outro, tentando ser o elo entre as duas pessoas. Três câmeras filmam a ação de três pontos diferentes: duas se fixam nas pessoas paradas, e a terceira, levada pelo artista, filma seu ponto de vista. Após realizada, a ação se transforma em uma vídeo-instalação de três canais, na galeria do Oi Futuro.
* Alexandre Sá
Artista plástico, poeta e crítico de arte, Alexandre Sá é também professor universitário. Desenvolve trabalhos em vídeos, e como curador. Tem diversos textos publicados em revistas especializadas.
Performance: “Aquilo que você espera”, 2009
O trabalho ironiza a angústia humana e seus desejos de adivinhação. Trata-se de uma série de microações, que o artista desenvolverá junto ao público, e que se referem a elementos fundamentais para a contemporaneidade: o tédio, a previsibilidade das coisas e a entropia das relações.
* Marcio Shimabukuro
Shima (Marcio Shimabukuro) nasceu em São Paulo, em 1978. Graduou-se em desenho industrial, e realizou residências artísticas na Holanda (2007) e no Japão (2008). Este ano representou o Brasil no 11º Internacional Performance Art Festival Interackje – Panorama das 3 Américas (Polônia) e Blow!7 (Alemanha). Vive e trabalha em São Paulo.
Performance: “Entrelinhas”, 2009
A imagem de um homem em movimento é captada em um vídeo de 4’, que é então projetado sobre seu corpo e uma parede, repetindo este esquema de ação, registro e projeção por 60 minutos. Trama-se um processo que embaralha tempos, espaços e dimensões, num jogo de telas sobrepostas, entre o efêmero e o perpétuo, o medido e o estimado, de projetos e reflexões.
* Chico Fernandes
Trabalha principalmente com performance, vídeo e fotografia. Participa de exposições individuais e coletivas, em museus e galerias.
Performance: “Interself I”, 2009
Ao se deparar com o vídeo na televisão, o espectador vê uma cena de um homem se masturbando vendo tevê. E o que este homem vê, foco de sua atenção, é o publico, que aparece através de transmissão ao vivo.
* Cris Bierrenbach
Cris Bierrenbach, nasceu em São Paulo em 1964, é artista plástica, e trabalha com fotografia, video, instalações e performance, além de uma extensa pesquisa sobre processos de impressão fotográfica do séc 19. Desde 1993, é presença constante em diversas mostras que reúnem artistas contemporâneos brasileiros. Além do Brasil, seus trabalhos já foram exibidos na França, Holanda, Japão, México, Alemanha, Estados Unidos, Bélgica e Cuba. Possui obras nas coleções do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) e Maison Européenne de la Photographie (França), entre outros. Foi diretora de arte do longa-metragem “FilmeFobia”, em 2007, pelo qual recebeu o Prêmio Candango, no 41º Festival de Cinema de Brasília.
Performance: “Fala a verdade”, 2009
É uma performance interativa onde os espectadores são convidados, um por vez, a estabelecerem um diálogo com a artista, mediado por detectores de mentira (polígrafos). O voluntário senta-se em uma cadeira em frente a uma pequena mesa que o separa da artista e os dois serão conectados, através de eletrodos e sensores, a dois polígrafos distintos. As oscilações dos detentores são projetadas em telões para que os dois participantes e o restante da audiência acompanhem e julguem a veracidade da conversa.
* Regina Melim
É docente no Departamento de Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina, onde coordena o grupo de pesquisa Proposições Artísticas Contemporâneas tendo organizado as exposições: Midiações – ações orientadas para fotografia e vídeo em debate, Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis, 2005; Perform_ipa I e II, juntamente com o artista Yiftah Peled, Museu Histórico de Santa Catarina, Florianópolis, 2005 e 2006; a[mostra] #1, #2 e #3 – mostra de videoperformances, Museu Victor Meirelles, Florianópolis, 2007 e 2009. Em 2006, cria a editora par(ent)esis para desenvolver projetos de exposições no formato de publicações, tais como: pf (2006), amor: leve com você (2007), COLEÇÃO (2008) e Conversas (2009). Autora do Livro Performance nas artes visuais, Jorge Zahar Ed., 2008.
Palestra: Em 2005, Marina Abramovic declara em uma entrevista concedida a pesquisadora Ana Bernstein que a performance só pode viver se for apresentada de novo. Baseado nessa afirmação, a idéia é apresentar uma série de reconstruções de performances dos anos 1960-70, realizadas a partir de documentos (vídeos, fotografias, depoimentos ou descrições escritas) por estudantes que participam da oficina de estudos de performance no Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina.
* Daniela Mattos
É artista visual, atuando desde o início dos anos 2000 com enfoque nas mídias da performance, fotografia e vídeo. Participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, destacando-se “Desempenho Acontecimento Ação” (Novembro Galeria de Arte, RJ, 2009), “Video Links Brazil: an anthology of brazilian video art” (Tate Modern, Londres, Inglaterra, 2007) e “Conversations” (Galeria SKUC, Ljubljana, Eslovênia, 2006).
Performance: “Arte depois dos Anos 1960/1970” – 2009
Neste trabalho, de caráter metalinguístico, a artista se utiliza de elementos como ações corporais básicas, textos selecionados que discutem a natureza da arte, e dispositivos técnicos como a fotografia e o vídeo, numa clara referência à produção da arte conceitual / experimental dos anos 1960 e 1970. Os elementos que configuram esta performance tensionam os limites entre apropriação e citação, aspectos centrais na produção artística da contemporaneidade.
* Fernando Salis
Fernando Salis é cineasta, ator e professor da Escola de Comunicação da UFRJ. Como VJ e artista audiovisual, já realizou instalações e performances no Brasil, EUA, Espanha e Canadá, em galerias, clubes e festivais como o Pop Montréal, Bowery Poetry Club de Nova York e Yastá Madrid. Seus filmes já foram exibidos em 12 países, em festivais como os de Paris, Florença, Toronto, Havana, Berlin, São Francisco, Mumbai, entre outros. Com artigos publicados em diversos países, Salis foi professor visitante de Estudos de Performance e Cinema na New York University e na Universidad Carlos III de Madrid, onde realizou a sua pesquisa de pós-doutorado.
Performance: “Veni, vidi, verti”, 2009
Trata-se de uma instalação/performance audiovisual em que os sons e imagens editados ao vivo dialogarão com os movimentos dos participantes no espaço através de múltiplas telas, câmeras abertas e projetores. Imagens de vídeo gravadas, ou captadas em tempo real, serão projetadas em diferentes telas translúcidas, transparentes, espelhadas ou nos corpos das pessoas presentes. Através das texturas e ângulos produzidos, serão compostas perspectivas inusitadas sobre as imagens dos diferentes modos de circulação e ocupação de lugares públicos no Brasil, Espanha, EUA, França, Etiopia, Guiana, Alemanha, Inglaterra, Senegal, Itália, Marrocos, entre outros. Torcendo a máxima imperialista para “vim, vi e verti”. “A vitória que nos interessa é a criação”.
Brígida Baltar
Brígida Baltar nasceu no Rio de Janeiro em 1959, onde vive e trabalha. Sua obra abrange principalmente fotografias, videos, ações e desenhos em uma poética que oscila entre mundo real e fantástico. Entre as exposições recentes mais importantes estão “An Indoor Heaven”, no Firstsite, em Colchester, Inglaterra, 2006. Em 2008 participou do “Panorama de Arte Brasileira”, MAM São Paulo e Espaço Alcalá Madrid, e, em 2009, integra “After Utopias”, no Museu Pecci, Itália.
Vídeo: “Quando fui carpa e quase virei dragão”, 2004
O vídeo foi filmado no Japão, em 2004. A cada dois minutos, ele traz uma narrativa, em que a paisagem se transforma em fábula, inspirada nas tradições orientais, onde a carpa é um símbolo de fortaleza e resistência. Os peixes nadam contra a correnteza até atingir a nascente. Segundo a mitologia, quando isso acontece, as carpas se transformam em fortes dragões.
Performance Presente Futuro Vol. 2
Programação:
11 de setembro de 2009 – Sexta
11h -17h – Yukihiro Taguchi – Contact
17h – Alexandre Sá – Aquilo que você espera
18h30 – Marcio Shimabukuro – Entrelinhas
19h30 – Vito Acconci – Palestra – Das palavras para a ação para a arquitetura
12 de setembro de 2009 – Sábado
11h -15h – Yukihiro Taguchi – Contact
15h30 – Chico Fernandes – Interself I
17h30 – Cris Bierrenbach – Fala a verdade
18h30 – Bill Brown/Surveillance Camera Players – Palestra – The Surveillance Camera Players: de 1996 até o presente.
13 de setembro de 2009 – Domingo
11h – 14h – Workshop em espaço urbano – Bill/Surveillance Camera Players
11h – 15h – Yukihiro Taguchi – Contact
15h – Regina Melim – Palestra Reconstruções, interpretações e resignificações de Performances nas Artes Visuais.
16h30 – Daniela Mattos – Arte depois dos anos 1960/1970
17h30 – Fernando Salis – Veni, Vidi, Verti
Vídeo: Brígida Baltar – Quando fui carpa e quase virei dragão
Serviço: Performance Presente Futuro Vol. 2
Oi Futuro, Rio
Visitação pública: 11, 12 e 13 de setembro de 2009
Realização: Oi Futuro
Patrocínio: Oi
Produção: Automática
Oi Futuro
Rua Dois de Dezembro, 63 Flamengo Rio de Janeiro
Terça a domingo das 11h às 20h
Entrada franca.
Telefone: 21.3131.3060
www.oifuturo.org.br
Mais informações: CW&A Comunicação
Claudia Noronha / Beatriz Caillaux
21 2286.7926 / 3285.8687
claudia@cwea.com.br / beatriz@cwea.com.br

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Pingback by artesquema » Performance Presente Futuro vol. II — September 9, 2009 @ 6:13 am
Fala Dani, muito bom o texto todo, legal de antemão “ler” as propostas…
Em muito breve nos vemos! Beijos!
Comment by Shima — September 9, 2009 @ 9:57 pm