February 28, 2010
Repassando…
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Car@s,
Agora em março acontece a II Conferência Nacional de Cultura, onde participarão os delegados eleitos nas Conferências Estaduais. Segundo o regimento interno da Conferência Nacinal é obrigação dos estados custear o transporte de seus delegados. Infelizmente o ÚNICO estado que se negou a cumprir o regimento foi o estado de São Paulo. Segue abaixo uma carta de repúdio escrita pelos delegados.
Att.
Wendy Palo
Coordenadora Financeira Instituto Cultural Janela Aberta
–
Nós, delegados democraticamente eleitos como representantes legais do Estado de São Paulo para a II Conferência Nacional de Cultura, a ser realizada no período de 11 a 14 de março, em Brasília, vimos por meio desta manifestar o nosso mais veemente repúdio, que pode ser subdividido em desagravo e indignação, ao governo do estado de São Paulo, notadamente invocado nas pessoas de seu governador, sr. José Serra, e secretário estadual da Cultura, sr. João Sayad, pela atitude de boicotar a nossa participação neste importante evento que faz parte de um esforço coletivo e somatório de dotar o país de uma política pública democrática que possa fortalecer a Cultura nacional.
Ao agir assim, os srs. governador e secretário estadual da Cultura do Estado São Paulo descumprem um regulamento previamente acordado entre União e Estado, além de desprezarem o esforço de mais de 400 municípios paulistas que, acreditando na adesão estadual à II Conferência Nacional de Cultura, realizaram as suas conferências municipais e intermunicipais, dispendendo para isso recursos humanos e materiais e reunindo milhares de cidadãos, representantes da sociedade civil e de poderes públicos locais, para debaterem e formularem questões e propostas pertinentes à Cultura.
Uma vez vencidos estes processos, os mesmos municípios voltaram a esforçar-se para enviar seus respectivos delegados eleitos para a cidade de São Paulo, onde em 26 de novembro de 2009, no Memorial da América Latina, realizou-se a fase estadual da II Conferência Nacional de Cultura – evento que também contou com esforços pessoais, governamentais e, mais grave ainda: com uso de dinheiro público para a sua realização. Dinheiro público cujo gasto se tornou irregular, uma vez que o motivo final de sua utilização veio a se tornar desnecessário, dada a decisão do goverso do Estado em desobrigar-se de sua responsabilidade para com os delegados estaduais, ou seja, a de garantir a participação deles mediante arcar com os custos de transporte para Brasília.
Nosso repúdio não deve ser somente em nome – em nome dos delegados estaduais, mas também e, sobretudo, em nome de todos os milhares de cidadãos que participaram das fases municipais e intermunicipais, acreditando serem verdadeiras as intenções do governo do Estado para com a realização da II Conferência Nacional de Cultura.
É preciso salientar que, a partir da postura inábil e totalmente desprovida de prática em conferências do governo do Estado, demonstrada na forma caótica com que realizou a fase estadual, nossos representantes do governo do estado já sinalizavam desconforto com essa maneira de se relacionar com a sociedade civil e, em parceria desta, definir estratégias e propostas visando a implementação de políticas públicas culturais.
Mas esse desconforto pode servir para um nosso não estranhamento com o boicote político de nosso governo estadual à II Conferência Nacional de Cultura, mas não deve justificar o desrespeito dos srs. José Serra e João Sayad a todos os municípios e cidadãos paulistas que crêem em uma nova relação entre Estado e sociedade civil e, para tanto, não economizam tempo nem ações para a construção deste novo tipo de diálogo mais saudável e imprescindivelmente necessário. Este boicote não vitimiza somente a nós, delegados estaduais que subscrevemos a esta carta, mas sim a todo o povo paulista que acredita na Cultura como direito básico do cidadão.
Nós, delegados da Conferência Estadual de Cultura, primeira diga-se de passagem, subescrevemos esta carta e convidamos a todos artistas, gestores(as) públicos ou privados, produtores(as) culturais, fazedores (as) e/ou sabedores (as) culturais a endossá-la. Ela nos serve como moção de repúdio ao governo estadual paulista, pelo boicote à II Conferência Nacional de Cultura, tanto quanto como a reiteração de nossa crença inquebrantável na Cultura, na Educação e na Cidadania.
Os srs. José Serra e João Sayad nos deram um “belo” exemplo de como não sermos cultos, educados ou cidadãos.
Sem mais, subscrevemos
DELEGADOS ESTADUAIS DEMOCRATICAMENTE ELEITOS PARA A II CONFERÊNCIA NACIONAL DE CULTURA E APOIADORES DA DEMOCRACIA.
January 25, 2010
excerto do:
COLEGIADO SETORIAL DE ARTES VISUAIS
- DOCUMENTO 01/2008 -
I. DIAGNÓSTICO DAS ARTES VISUAIS
As Artes Plásticas – como foram, até há pouco tempo, conhecidas – ganharam nova dimensão, passaram a ser chamadas como Artes Visuais abrangendo todas as formas de expressão artística que, tendo como centro a visualidade, geram – por quaisquer instrumentos e ou técnicas – imagens, objetos e ações (concretas ou virtuais) – e ampliam seu universo para a percepção sensorial. Visto sob esta ótica as Artes Visuais estão presentes em todas as dimensões de nossa existência: nos objetos que nos circundam, nas paredes, nas ruas, praças e espaços arquitetônicos.
Ela estabelece permanentemente a conexão entre nós e o meio urbano, político e social. Não é mais apenas um objeto palpável, absoluto. Envolve um universo ilimitado incluindo desde a pintura de uma tela até o eletrodoméstico e as relações estéticas subjetivas.
A definição sobre os campos das artes visuais tem sido matéria de reflexão e debates sofisticados devido à sua amplitude e à agregação de questões filosóficas. É necessário antes de qualquer diagnóstico, redefinir as Artes Visuais como um território que incorpora hoje diversas áreas de expressão, além das Artes Plásticas, consideradas linguagens tradicionais, como: pintura, escultura, desenho, gravura, objeto. Temos a chamada Arte Contemporânea que faz uso de diversas linguagens abarcando campos tão diversificados pelos seus usos e por funcionamentos próprios, e que, em geral, se relacionam com pesquisas científicas e técnicas, e/ou investigações sócio-culturais e de práticas que produzem objetos, ações, propostas e reflexões, e que, assim, delimitam o campo das artes visuais, a saber:
Atividade Artística Visual no Campo Simbólico: Práticas estéticas que vão desde as atividades em suportes tradicionais até as atividades que visam linguagens e experimentos materiais, corporais, espaciais e ou virtuais; pesquisas de suportes e tecnologias:
Desenho, colagem, gravura, pintura, escultura, cerâmica, objeto, assemblage, fotografia, vídeo-arte, body-arte, performance, instalação, instauração, happening, intervenção urbana, arte e tecnologia (1), eco-arte, arte ambiental, land-art, grafitti, artes interativas, inter-territorialidade entre outros campos das e do saber.
Atividade Artística Visual Economicamente Orientada: Agenciamentos estéticos mistos que se inscrevem em atividades industriais ou comerciais, com meios específicos de circulação que apresentam intersecções ocasionais com o campo simbólico:
Design gráfico, design de produtos, design de moda, web design, design de interiores, arquitetura, decoração, urbanismo, fotografia, quadrinhos, artesanato, cenografia, humor gráfico, ilustração, light design, paisagismo, tapeçaria, tecelagem, animação.
Atividades discursivas no campo das artes visuais: Práticas de re-simbolização da atividade estética no registro de linguagens escritas e outras articulações, visando à atualização de significados. Significados esses que são propostos por obras, objetos e ações artísticas na perspectiva do pensamento e da reflexão (história da arte, crítica de arte, antropologia e psicologia da arte, teorias da arte, curadoria, ensaios).
Observações:
(1) Arte-Tecnologia é um termo genérico usado para descrever a arte relacionada com tecnologias surgidas a partir da segunda metade do século XX. Exemplos que podemos citar: arte em rede, arte robótica, arte com videogames/game art, hipermídia, net art, arte telemática, comunidades virtuais e ativismo artístico, ambientes imersivos, ambientes interativos, projetos de realidade aumentada e congênere, nano arte, arte computacional, bio-arte, arte transgênica, vida artificial, visualização de efeitos físico-químicos, arte digital, web-arte, arte wireless, arte cibernética, etc.
O conceito de Arte Cibernética é significativamente mais restrito, pois exige a interação constante entre o observador e a obra – e/ou entre os subsistemas da obra – num processo de causalidade circular que pode acarretar mudança de objetivos tanto para o espectador como para a obra. Obras que contemplem a interação contínua, cibernética, entre o observador e a obra – e/ou entre os subsistemas da obra –, bem como projetos de pesquisa que discorram sobre ou desenvolvam conceitos relacionados.
(2) Inter-territorialidade – inter-relação das artes com outros territórios do conhecimento humano.
October 30, 2009
Políticas da Arte – Diálogos da Arte
MAM-RJ – Dias 3 e 4 de novembro
Local: Cinemateca do MAM
Organização: MAM-RJ/Azougue Editorial
Coordenação: Frederico Coelho e Sergio Cohn
Outubro de 1968: Rogério Duarte e Hélio Oiticica organizam no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro o encontro batizado de Cultura e Loucura. Na montagem da mesa para o debate sobre os limites entre arte e contra cultura, além dos organizadores, participam Caetano Veloso, Nuno Veloso e Luis Carlos Saldanha. A idéia de Rogério e Hélio era ter também Chacrinha e Glauber Rocha, mas não foi possível. Tempos depois, Antonio Manuel lançaria um curta-metragem com os principais trechos do debate.
Outubro de 2009: o incêndio no acervo do Projeto HO desencadeia no meio das artes visuais uma série de documentos, textos pessoais, emails, cartas abertas, testemunhos e manifestos sobre a questão dos acervos de artistas e instituições. O debate gira maciçamente ao redor das condições de preservação e manutenção, das políticas públicas e privadas de financiamento, da repercussão pública do incêndio em contraponto ao descaso diário em relação a outros acervos importantes que se deterioram em nosso cotidiano. Ao mesmo tempo, passa ao largo das mídias as propostas culturais que se encontravam em gestação em torno do Projeto HO, entre elas redes digitais de artistas e criação de espaços de disponibilização ao público das reservas técnicas dos artistas contemporâneos.
Se um encontro como o aqui proposto já se fazia necessário e urgente, ao constatarmos tal massa de opiniões no espaço virtual ou nas conversas privadas, agora se torna inadiável trazer o debate de volta ao espaço público.
Reivindicando a retomada do MAM-RJ como um espaço não só de exposição de obras, mas principalmente de exposição de ideais, questões, diálogos e conflitos, convocamos a todos os personagens do universo das artes visuais da cidade – artistas, críticos, jornalistas, galeristas, donos de acervos públicos e privados, compradores, produtores, público e pesquisadores – para participarem nos dias 3 e 4 de novembro do debate Políticas da Arte – Diálogos da Arte.
O objetivo do encontro é simples: romper com a idéia estática de um seminário acadêmico e estimular a participação pública na formulação de propostas para os problemas e soluções que todos podem trazer em suas colocações. A participação da platéia será tão ou mais importante do que a participação dos nomes nas mesas montadas para estimular o debate. O resultado do encontro será registrado e documentado num caderno de propostas, a ser publicado de maneira emergencial ainda esse ano pela Azougue Editorial.
Na terça-feira, dia 3, teremos duas mesas – uma na parte da manhã (11:00) e outra na parte da tarde(14:00) – com a participação dos coordenadores do evento (Frederico Coelho e Sergio Cohn) e de representantes de acervos (Cesar Oiticica Filho e João Vergara, com mediação da crítica Daniela Name). A intenção das duas mesas é fornecer mais elementos e informações para o debate com o público presente. Também será lançado nesse dia o projeto Rede Arte Brasil, uma rede digital de artes plásticas organizada pelo Projeto HO, com explicação pública de seus objetivos e metas.
Na quarta-feira, dia 4, a intenção é promover durante a tarde (das 14:00 às 18:00 horas) um balanço das conversas do dia anterior e uma convocatória geral para todos os interessados no debate sobre os temas propostos pelo encontro. Uma assembléia geral em que a participação de todos será fundamental para ampliarmos a capacidade de ressonância do evento. Os artistas e críticos Marcio Botner, Ernesto Neto, Felipe Scovino e o curador do MAM-RJ Luiz Camillo Osório, conduzirão o debate desse dia.
Políticas da Arte – Diálogos da Arte não é somente um encontro, não é somente um seminário e vai além do velho debate entre os mesmos. É uma convocação do MAM para que todos seus parceiros e colaboradores (seja o público e a sociedade, sejam os artistas e os que se relacionam com as artes) tenham novamente voz ativa na proposição e condução das políticas que atravessam o dia a dia das artes visuais contemporâneas.
Se no espaço virtual ficou provado nas últimas semanas que a demanda por conversas, por posições e por reivindicações é intensa, chegou a hora de nos encontrarmos face a face para refundarmos um novo marco crítico e um novo espaço de ação no Rio de Janeiro.
A hora é essa. Antes do próximo incêndio.
Esperamos a presença de todos,
Frederico Coelho e Sergio Cohn
September 28, 2009
Ninguém ficou sabendo, mas a gente divulga. E é boa noticia!
Bancos oficiais debatem modelos de financiamento com produtores culturais
A Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, em conjunto com a Fundação Nacional de Artes, organizou um encontro de executivos do Banco do Brasil, do BNDES e da Caixa Econômica Federal com produtores culturais, para apresentação dos produtos de crédito para a Cultura oferecidos pelos bancos oficiais.
A reunião ocorreu nessa segunda-feira, 21 de setembro, na Sede da Funarte, no Rio de Janeiro, e também contou com a participação de diretores do Sebrae. Na ocasião, discutiu-se a viabilização de parcerias entre as entidades presentes, de forma a corresponder a todo o potencial da Economia da Cultura, que representa 5% do PIB nacional.
O encontro cumpriu a segunda etapa de um projeto que a Sefic/MinC iniciou em agosto deste ano, realizando o 1° Encontro de Integração MinC – Bancos Oficiais, no qual houve troca de experiências e ideias para fomento da Economia da Cultura. O resultado da iniciativa foi discutido diretamente com os produtores do setor que, relatando as dificuldades e anseios mais comuns às áreas em que atuam, evidenciaram a necessidade de adequação dos produtos de crédito existentes.
Os executivos das instituições financeiras, mostrando-se favoráveis a esta adequação, manifestaram o interesse que têm de customizar seus produtos aos segmentos da cultura. Atualmente, os bancos oficiais têm mais de R$ 5 bilhões para disponibilizar em linhas de crédito e microcrédito para o setor cultural. Para o presidente da Funarte, Sérgio Mamberti, tão importante quanto o aporte de recursos é a execução das políticas públicas para o setor, que é o papel do MinC.
May 18, 2009
O IMAGINARIO PERIFÉRICO, a EBA|UFRJ, a ECO|UFRJ,
a UNIVERSIDADE NÔMADE e o PROJETO HÉLIO OITICICA,
convocam todos os artistas interessados a participar
da MANIFESTAçãO PRÓ HéLIO OITICICA a fazerem
seus parangolés conforme instrução abaixo e se
juntarem a esse corpo coletivo pedindo a PERMANêNCIA
DA OBRA DE HO NO CENTRO DE ARTE QUE LEVA SEU NOME.
23|MAIO – 15H – SÁBADO
RUA LUíS DE CAMõES 68 – CENTRO – RIO DE JANEIRO
[Em frente ao Centro de Arte Hélio Oiticica]
>VIDEO-PERFORMANCES do Imaginário Periférico
na obra RODISLâNDIA no Centro H.O.
>TREME TERRA de Aderbal Axogum
>NIMBO OXALá de Ronald Duarte
>CHAPéU PANORâMICO de Romano
>MUSA PARADISíACA de BobN
Venha e FAçA VOCê MESMO SEU PARANGOLé.
Leia [abaixo] a proposição de Hélio Oiticica
e entre nessa onda.
_______________________________________________________
hélio oiticica
1968
INSTRUÇÕES para feitura-performance de CAPAS FEITAS NO CORPO
1- cada extensão de pano deve medir 3 metros de comprimento.
2- o pano não deve ser cortado durante a feitura da capa, de modo
a manter a estrutura extensão-extensão como base viva da capa.
3- alfinetes de fralda devem ser usados para a construção da capa,
que será depois cosida.
4- a estrutura da capa construída no corpo deve ser improvisada
pelo participador; se a ajuda de outros participadores vier a calhar,
ótimo; a estrutura deve ser construída em grupo em cada corpo
participante, e feita de modo a ser retirada sem destruir, como
uma roupa.
5- um grupo pode construir uma capa para várias pessoas, numa
espécie de manifestaçãqo coletiva ao ar livre.
6- o uso de dança e/ou performances criadas por outros indivíduos
é essencial à ambientação dessa performance: assim como o uso
do humor, do play desinteressado, etc. de modo a evitar uma
atmosfera de seriedade soturna e sem graça.


May 6, 2009
Prá quem quiser acompanhar a discussão, há um link com depoimentos de algumas pessoas sobre o fato. Mas o melhor comentário é o de Ricardo Basbaum: “Parece que somente os curadores são capazes hoje de provocar polêmicas; antes estas eram produzidas pelas obras, pelos artistas. Se pensarmos na 28ª Bienal, a discussão que mobilizou a opinião pública foi provocada pelos curadores e não por qualquer artista ou obra da mostra”.
Acesse os links e leia mais.
Folha de São Paulo, 4/05/09
“Panorama estrangeiro” é atacado na Web
Tradicional mostra bienal sobre arte brasileira, agora curada por Adriano Pedrosa, gera polêmica por só ter estrangeiros
“Que presunção, que vaidade, que egocentrismo”, diz artista Artur Barrio; ideia também tem defensores, que a Ilustrada ouviu
FABIO CYPRIANO
DA REPORTAGEM LOCAL
Em vez de “Panorama da Arte Brasileira”, “Brazilian Art Landscape” é como o artista Alex Cabral propõe que seja denominada a mostra com curadoria de Adriano Pedrosa, a ser inaugurada em outubro, no MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo).
Já a artista Ligia Borba sugere “Panorama da Arte Brasilianista”. O sarcasmo faz parte da maior parte das 58 mensagens já postadas (até o fechamento desta edição) no site Canal Contemporâneo, a partir da proposta de Pedrosa de não incluir artistas brasileiros na exposição com caráter bienal, criada há 40 anos.
No blog do Canal Contemporâneo -uma comunidade digital organizada pela artista Patrícia Canetti-, a grande parte dos comentários à proposta de Pedrosa, após reportagem publicada na Folha, é marcada por reações bastante violentas (http://www.canalcontemporaneo.art.br/
brasa/archives/002119.html).
Um dos exemplos é como o artista Artur Barrio contesta Pedrosa: “Que presunção, que vaidade, que egocentrismo, que exclusão, que ignorância”.
“Sabia que a proposta geraria polêmica, e o formato de blog propicia reações violentas. Como a curadoria é uma prática que exclui muito mais do que inclui, pois o conjunto incluso é sempre infinitamente menor do que o excluído, quanto mais reputada a mostra curada, maior o número de potencialmente frustrados ou irados em relação a ela”, diz Pedrosa.
Opiniões favoráveis
A Folha ouviu outros 13 artistas e curadores (leia íntegra dos depoimentos em www.folha.com.br/091221) e a maioria, ao contrário do que ocorre no Canal Contemporâneo, posicionou-se a favor do projeto de Pedrosa. De todos, apenas a artista Carmela Gross e o curador Paulo Venancio Filho foram contrários à proposta.
A favor manifestaram-se os artistas Jac Leirner, Rivane Neuenschwander, Rosângela Rennó, Sandra Cinto e Ricardo Basbaum, além dos curadores Agnaldo Farias, Lisette Lagnado, Daniela Labra, Rodrigo Moura, Cristiana Tejo e Felipe Chaimovich.
Curador do MAM-SP, Chaimovich coloca a instituição em defesa de Pedrosa: “O “Panorama” caracteriza-se pelo questionamento regular da natureza da arte brasileira e o debate gerado pela proposta curatorial de 2009 mostra a relevância de uma reflexão renovada a cada edição, quebrando expectativas e apontando interpretações inesperadas, como cabe a um museu de arte moderna”.
No entanto, nem todos são a favor da ideia de forma integral, apresentando algumas ressalvas, como o artista e curador Ricardo Basbaum.
“Parece que somente os curadores são capazes hoje de provocar polêmicas; antes estas eram produzidas pelas obras, pelos artistas. Se pensarmos na 28ª Bienal, a discussão que mobilizou a opinião pública foi provocada pelos curadores e não por qualquer artista ou obra da mostra”, diz ele.
“Isso me preocupa: obras e artistas não estão sendo mais percebidos enquanto agentes provocadores, e sim os curadores”, completa Basbaum, que está em cartaz em São Paulo, na galeria Luciana Brito.
A polêmica, contudo, está ajudando o curador a redefinir sua própria exposição.
“A princípio, eu tinha pensado em fazer uma exposição mais esparsa, com um número menor de artistas, mas agora estou considerando incluir mais obras, mais exemplos de “arte brasileira feita por estrangeiros”, sem querer esgotar o assunto, mas tornando o argumento mais claro”, diz Pedrosa.
April 28, 2009
O espírito de Ciccillo Matarazzo se revoltou contra a confusão da Fundação Bienal , e lança este protesto on-line. Se ele vai engajar os artistas, não sei, mas a tentativa é bem-humorada.
“Os tempos mudaram… E diante dos últimos acontecimentos que atingem a Bienal Internacional de Arte de São Paulo, que fundei em 1951 e presidi até a minha morte em 1977, inicio este wiki com o Relatório da Curadoria da 28ª Bienal de São Paulo.
Meu objetivo não é apenas comentarmos este relatório, mas também e, sobretudo, pretendo criar aqui um uma arena pública para que a sociedade brasileira mostre a sua indignação. Vamos publicar, pesquisar, apontar, criar uma situação que demonstre aos órgãos competentes que não podemos mais tolerar esta situação. Anos de gestões incompetentes, para dizer o mínimo, agora desembocam na possibilidade de vermos o pavilhão brasileiro da Bienal de Veneza vazio. Ora, senhores, isso é demais!
Sou obrigado a pedir que a sociedade brasileira acompanhe a minha indignação e se movimente em defesa de nosso patrimônio institucional artístico maior.
Declaro o espaço aberto. Vamos aos debates!
Ciccillo Matarazzo”
http://ciccillo.wikispaces.com/
April 24, 2009
Este texto foi gentilmente enviado por Traplev para a publicação no Artesquema.
A DISFUNÇÃO DO PANORAMA DA ARTE BRASILEIRA
OU O DES-PANORAMA EM ACLIMAÇÃO
(E COMENTÁRIOS DO BLOG DO CANAL CONTEMPORÂNEO)
(publicado também em versão espanhol http://esferapublica.org/nfblog/?p=1893 )
Roberto Moreira Junior
(Traplev)
Quando li a reportagem na Folha de SP, também lembrei como referência, sobre a indicação na Alemanha do artista inglês Liam Gillick para a Bienal de Veneza deste ano. Mas o interessante em ler a reportagem e depois ler os comentários no blog do canal contemporâneo (http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/002119.html), foi sentir tanta inflamação.
Não creio que o contexto seja de “desrespeito para com os artistas brasileiros em pleno tempo de expansão” como escrito em um post no blog do Canal, para mim essa proposta de Adriano Pedrosa soa mais como uma “armadilha estética” (não duchampiana!), do que um desrespeito a produção de arte brasileira.
Adriano Pedrosa, não é o único a polemizar o Panorama da Arte Brasileira que acontece no MAM de São Paulo desde 1969. Depois do Panorama de 2001 (com curadoria de Ricardo Basbaum, Ricardo Resende e Paulo Reis) todos os Panoramas que se prosseguiram nunca mais tiveram o mesmo impacto dentro do circuito de arte institucional e informal no Brasil.
Com a “polêmica-interna” que gerou a referida exposição em 2001 (uma “crise” no bom sentido), que na minha opinião, foi uma das melhores curadorias com o nome de Panorama da Arte Brasileira da última década, porque justamente estavam focados com o que estava ocorrendo na época, despontando outras práticas artísticas que não somente esse circulo de “visibilidade brasileira” e não se preocupando apenas em paradigmas e circuitos de mercado. (E nesse sentido a publicação – não catálogo – editada por Ana Paula Cohen, e a entrevista com Artur Barrio reforçaram a proposta justamente reafirmando outras práticas não padronizadas pela Instituição Museológica e o “Catálogo de Exposição”).
As outras tentativas partindo do talvez primeiro DES-Panorama do G. Mosquera começaram a decair e não conseguiram mais encontrar o sentido de se fazer este evento que comemora seus 40 anos em 2009. Ainda entre os Panoramas internacionais (Mosquera em 2003 e Pedrosa em 2009), teve a Curadoria de Felipe Chaimovich que ainda se preocupou em pesquisar por muitos estados do Brasil (in-situ), o que se produzia na época. Concordo também com o post (do link acima) de Juliana Burigo, Ligia Borba e Guy Amado, que simplesmente poderia se resolver o problema promovendo uma curadoria que não exatamente o tal “Panorama nanannnann”.
Também soa interessante essa indignação pela proposta de Adriano Pedrosa, pois justamente evidencia um problema maior que está por trás de tudo isso e que de alguma forma passa despercebido – a posição do MAM-SP que aceita tal proposta para o evento bienal de nome Panorama da Arte Brasileira.
Creio que essa coisa de utilizar o evento (pelo menos nos últimos 8 anos) que acontece desde 1969 até hoje com propostas querendo “renovar” o panorama da arte brasileira com artistas internacionais, é claramente um problema de Identidade da própria Instituição. Penso que os próprios diretores-presidentes e ou conselheiros, curadores do MAM-SP ou quem é que seja que administra essas “chamadas conceituais” para o Panorama, (como tb já dizia outro post), que deveriam responder por essa crise de identidade.
E ainda se falar que Programa de Residência é uma inovação (!), também não cabe mais nesses discursos. Nesse sentido concordo com Marco Paulo Rolla entre outros comentários, de propor realmente uma virada de conceito do que significa ainda hoje realizar um Panorama da Arte Brasileira no Brasil.
A emergência de se rever, discutir, questionar, esvaziar e modificar os princípios e sentidos de eventos como o Panorama, Bienal, Salões e etc, são essenciais.
As opções de atualização são infinitas, porque mesmo não pensar em programas de comissionamento a trabalhos, fomentando a produção de artistas brasileiros (neste sentido diga-se de alto e bom tom, não apenas os “artistas do mercado brasileiro”) para as edições bienais do Panorama (???).
Nesse sentido o projeto de Adriano Pedrosa realmente poderia ter outro contexto para refletir sobre o que ele propõe, não precisaria necessariamente evidenciar-se e aproveitar-se da “melodia institucional” em se intitular de Panorama da Arte Brasileira. Concordo também sobre as opiniões que se colocam sobre o questionamento do que é arte brasileira internacional por Daniela Labra: “É arte brasileira com penas de arara (Tropicália) ou arte brasileira com cara de Robert Morris?”, realmente essas confusões de continentes e nacionalismos são paradigmas delicados e a proposta como esta de Adriano Pedrosa (de se fazer o Panorama da Arte Brasileira Européia), ou mesmo esse último “Manifesto” de Bourriaud que tenta pensar outros paradigmas da arte sobre pontos de vistas duvidosos ao se falar generalizando, colocam em xeque e ás vezes impõe princípios conceituais e ações de curadores que não correspondem com situações específicas (“time specific X site specific” [!]) de circuitos diversos.
Desde a saída (emergencial combinada) de Ivo Mesquita e sua equipe, da direção do MAM-SP(-ITAÙ) de 2001, o Panorama da Arte Brasileira “balança”.
Porque não se comentou a curadoria do Panorama “Contraditório”[!] de Moacir dos Anjos, que na pouca informação, crítica e comentários que busquei nada diziam de tão inflamante como este..(!?) Neste ano da Curadoria do Moacir, tentei procurar várias vezes (google, canal, mapa, etc, etc, etc..) informações de pelo menos quem foram os artistas selecionados (!) e nem na página do próprio MAM-SP tinha o nome dos artistas!!!, mas quando vi uma parte de nomes tão conhecidos da “arte brasileira para exportação” (com a sequência da parceria para a ARCO de Galerias Brasileiras & Governo Federal, etc, etc, etc), perdia o interesse, porque para um sentido de PANORAMA, se desviava de um dado foco, se perdia a atenção de algo a mais do que vemos no mercado ou somente daquilo que circula nesse meio.
A situação que vemos da proposta de curadoria de Adriano Pedrosa, é um problema claro e evidente de uma necessidade das Instituições no Brasil, (seja do evento de nome Panorama da Arte Brasileira, seja do MAM-SP, seja da Fundação Bienal de SP, do MUBE, do MAM-RIO, do MASC, do MAC-PR, entre qualquer outro), de rever ações e operacionalizar de um modo coerente as demandas dos artistas e do público para a nova década que surge.
E nesse sentido, quando há uma brecha como esta da edição do Panorama da Arte Brasileira (de Europeus, como já citado) de 2009 ser realizado, perde-se uma oportunidade rica de investigar a produção artística do Brasil, sobre óticas e iniciativas ainda a serem desenvolvidas em suas diferentes re-adaptações e formatos (conceituais e administrativa).
O problema de mexer com essas iniciativas, é o grau de visibilidade que está contido nelas, pois essa “febre de status” (de artistas e curadores), muitas vezes desvia o contexto de se pensar a produção de arte brasileira.
Nesse sentido, falando neste contexto de DES-PANORAMAS, uma das (infinitas) questões Institucionais seria: como atuar sobre essas “plataformas de visibilidade” expandindo o formato e conceito de entre alguns Salões, Editais, Programas de Exposições, Panoramas e ou Bienais etc, etc, etc, etc, etc etc, etc (7vezes) ???
April 20, 2009
Publicado no site esferapublica, este texto levanta um questionamento interessante sobre a relação do curador com o mercado de arte. A autora incita os colegas curadores para que hajam de modo verdadeiro e ético, no sentido de assumirem de fato sua real relação com a inserção de um artista no circuito comercial. Somente assim, acredita, o curador poderá ter uma ação saudável com essa instância mercadológica. Estou de acordo.
Segue trecho do original em espanhol.
¿Por qué los curadores insisten en que su trabajo se realiza al margen del mercado? ¿Por qué insisten en aparentar una especie de pureza frente a movimiento económico del arte? Sobre todo cuando todos sabemos que no es así y menos en un mundo en el que todas las actividades están contaminadas por lo económico y lo comercial, o es que pervive una idea romántica y nostálgica del intelectual separado del mundanal ruido y las necesidades mundanas. Marcela Römer ataca un tema que parece tabú y exige la valentía de asumirlo en positivo.
“Curaduría y mercadeo es un tema actual, interesante y cuestionador. Estimados colegas: no se queden en el discurso romántico, porque ese lugar es fácil. Elaboren paradigmas de contemporaneidad para realmente “construir” discurso crítico. Uno de los objetivos éticos de un curador es ese, y justamente ese es uno de los que sí puede lidiar con el mercado.”
(segue…)
March 23, 2009
Repasso a carta desta colega de àrea. O CAHO deveria ser referência de centro de arte no Brasil “mas a sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo”…
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Caros amigos,
Comunico o que a Cultura no Brasil propõe para o futuro.
Diante da decisão lamentável da Secretaria das Culturas de extinguir o cargo de Museólogo do quadro do Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, quero tornar público que permaneci durante cinco anos no cargo de museóloga em contrato CLT (Outubro 2003- Fevereiro 2009) e fui destituída sob a alegação de que o cargo de museólogo
da instituição seria extinto. Segundo ofício enviado pelo Sr. Randal Farah de Oliveira Leão, Sub-Secretário de Gestão, para a empresa de Recursos Humanos que terceriza funcionários para os órgãos da Prefeitura do Rio de Janeiro, o cargo não foi apenas extinto ele foi tranformado em um cargo de secretária.
Perdi o emprego, mas não a indignação. O ato de extinguir a função de museólogo de uma Instituição Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro, ou seja uma instituição pública é um desrespeito a nossa classe. Como se não bastasse a falta de concurso público para a área e os poucos espaços para exercermos a profissão, o cargo de museólogo vem sendo substituído por diversas áreas, como arquivologia
, biblioteconomia e neste caso, secretariado.
Esta carta não é apenas uma reclamação ou um desabafo pessoal, nem mesmo é uma maneira de obter o meu emprego de volta. É sim um repúdio, um protesto contra os descasos que sofre a nossa profissão. Afinal, enquanto a classe dos teatros esbraveja contra a política cultural da atual Secretaria das Culturas, as outras “culturas” como Museus, Artes Plásticas, bibliotecas e etc se calam.
credito que consentir e calar-me diante destas decisões é decretar o fim da Cultura e da Museologia para o Brasil.
Quando será que a Museologia terá o seu verdadeiro espaço? E quando o profissional será indispensável à Cultura?
Atenciosamente,
Daniela Matera Lins
Corem 0686-I