Casa Daros: Ficción y Fantasía em uma metrópole tropical

Marta María Pérez Bravo. “No zozobra la barca de la vida”, 1995
Marta María Pérez Bravo. “No zozobra la barca de la vida”, 1995

Quando a Casa Daros chegou no Rio, em 2007, o então diretor de arte-educação e pesquisa, o cubano Eugênio Valdés, afirmava que o projeto enfatizaria o lado pedagógico da arte, entendida como necessária para a formação e integração humana. O programa da futura instituição teria residências, intercâmbios, ateliês, cursos e seminários, além de exposições da coleção Daros Latinoamerica, o maior acervo privado de arte contemporânea latinoamericana na Europa, pertencente à milionária suíça Ruth Schmidheiny. Diante do nosso cenário institucional pobre e engessado, a Daros seria uma instituição de alto nível com programação de qualidade e oportunidades para o ensino artístico e a profissionalização do meio.

Durante 6 anos de reformas, a Casa Daros, sob a tutela de Valdés, fez boas atividades sócio-educativas e artísticas a portas fechadas, até inaugurar em 2013 com ênfase no programa de arte e educação, que envolveu e preparou bons profissinais do ramo, tendo realizado diferentes atividades públicas. Em menos de 3 anos foram realizadas algumas mostras, todas com curadoria do suíço Hans Michel Herzog, e encerraram-se de sopetão as atividades do espaço sob argumentos do Conselho administrativo da coleção, que contradizem o discurso pedagógico do início. Ao invés de uma ação edificante, o que se viu foi um incrível desinteresse repentino em investir socialmente na região que intitula a coleção: a América Latina.

Sequer a biblioteca, com 7mil títulos, em parte espelhada na original suíça, ficará. Por exigências de eficiência na catalogação e pronta visibilidade pública, o Conselho doará o acervo inestimável ao Metropolitan Museum de Nova Iorque, em um gesto de desrespeito com estudantes, artistas, pesquisadores e públicos latinoamericanos. Se a Sra. Schmidheiny desejasse, não teria problemas em montar – e por que não manter? – um pioneiro centro de referência em arte contemporânea latina no trópico. Mas isso não ocorreu e, ironia, o colégio de elite previsto para ocupar o casarão desprezou a chance de ter os livros. Assim, seguimos obrigados a recorrer aos EUA e Europa para pesquisarmos profundamente nossos processos culturais, tão marcados pela mão colonizadora.

A ótima coleção de arte, construída pelo curador Hans Michel Herzog, tem conjuntos de Antonio Dias, Ana Mendieta, Los Carpinteros, Luiz Camnitzer entre outros, cujas poéticas engajadas, conceituais e contundentes não têm empatia com a atitude irresponsável da Sra. Schmidheiny e seu Conselho.

Desmontada como um negócio caro, a Casa Daros não cumpriu seu papel, apesar dos esforços de todos os profissionais de alto nível que estiveram envolvidos. Com a desaparição da biblioteca, em pouco tempo a luxuosa instituição será lenda urbana: uma empreitada excêntrica e colonialista, insustentável, que poderia ter gerado grandes frutos no mundo. Seu legado sócio-cultural será apagado logo, restando alguns bons eventos e  exposições nem sempre boas, na memória de quem viu.

*Publicado em Jornal O Globo, Segundo Caderno, 11/12/2015.

 

Teresa Margolles em Recife

 DSC01010A Fundação Joaquim Nabuco em Recife exibe até 8 de março a exposição “Enquanto For Necessário”, primeira individual da mexicana Teresa Margolles no Brasil, sob curadoria de Moacir dos Anjos. Conhecida internacionalmente por discutir de modo contundente a violência urbana que vitima milhares de pessoas em seu país, Margolles exibe alguns trabalhos antigos, além do resultado de um projeto novo envolvendo bordadeiras da comunidade recifense de Alto José do Pinho.

Formada em arte e em medicina forense, a artista se dedica desde os anos 1990 a um trabalho artístico que denuncia o escabroso cenário de homicídios em massa causados pelo narcotráfico no México. Tendo como ponto de partida cenas e relatos de crimes e eventos violentos ocorridos em lugares como Ciudad Juárez, na fronteira com os E.U.A., ou Culiacán, onde nasceu, Teresa cria narrativas fascinantes e dolorosas ancoradas numa realidade muito dura. Embora ela exponha situações ocorridas em cidades mexicanas, o trágico panorama que aborda se extende por muitos centros e periferias latinoamericanos marcados pela desigualdade social, corrupção endêmica e a ação criminosa de milícias de todo tipo, tal como se vê no Recife e no próprio Rio de Janeiro. Como aponta Moacir dos Anjos, o trabalho desta artista cada vez mais alcança lugares afastados do México mas que partilham com esse país a necessidade de tornar visível e lidar com a violência que atinge populações desguarnecidas dos direitos mínimos assegurados. E o direito à vida é um deles.

A exposição traz obras como PM (2012),exibida na 7a Bienal de Berlim em uma versão diferente da que se vê aqui. No Recife, o trabalho se apresenta como uma projeção sequencial de capas do jornal popular de mesmo nome colecionadas pela artista ao longo de um ano em Ciudad Juárez, uma das cidades mais violentas do mundo. Cada imagem projetada mostra as primeiras páginas do tablóide ilustradas por fotos de cadáveres, quase sempre ao lado de fotografias de mulheres sensuais e anúncios de prostituição. O ritmo quase monótono dos slides evidenciam a escandalosa desvalorização da vida no cotidiano dessa e tantas outras cidades, enquanto também explicita a operação do jornal de aproximar em seu espaço privilegiado “corpos radicalmente regulados pela morte e outros regidos pela satisfação prometida pelo sexo pago”, nas palavras do curador. Além de PM, completam a mostra Trepanações (sons do necrotério), 2003, trabalho sonoro que reproduz o ruído de uma serra cortando a cabeça de uma vítima de assassinato durante a autópsia; Esta propriedade não será demolida, 2009-2013, que apresenta fotografias de propriedades à venda ou abandonadas em função da insegurança em Ciudad Juárez; a videoinstalação Como Saímos?, 2010, que exibe um vídeo feito do interior de um carro de passeio, onde crianças pobres são filmadas, do lado de fora, perguntando aos passageiros do veículo onde há uma saída. Por último, é apresentado o resultado do trabalho realizado em conjunto com as mulheres bordadeiras da comunidade do Alto José do Pinho. Este projeto integra uma série de ações que a artista desenvolve em localidades diversas com bordadeiras convidadas a trabalhar sobre tecidos previamente embebidos em sangue ou fluidos de uma pessoa assassinada. Enquanto as mulheres conversam sobre medos e o risco que rodam suas vidas, vão surgindo imagens bordadas que remetem à sua realidade insegura e a relatos da violência testemunhada, junto a projeções de um futuro melhor que talvez chegue um dia.

No Brasil, Berna Reale, Armando Queiróz e Clara Ianni são dos poucos artistas que tocam em temas trágicos e sujam de leve o tapete vermelho do sistema artístico. Como Teresa Margolles, suas obras mostram que a arte contemporânea ainda pode fazer crítica social séria apesar da tola aura de glamour que a prende em armadilhas fúteis alheias aos conflitos do mundo real.

Versão em PDF : Preview of “Infoglobo – O Globo – 16 fev 2015 – Page #26” copy

Jonathas de Andrade no MAR, Rio de Janeiro

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O Museu do Homem do Nordeste foi criado no Recife em 1979 a partir da junção dos acervos do Museu do Açúcar, do Museu de Antropologia e do Museu de Arte Popular de Permambuco. Sua concepção museológica inspira-se no conceito de museu regional do sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, e seu acervo possui documentos das formas de arquitetura local e objetos que representam as manifestações socio-culturais populares do Nordeste, como a cerâmica, o carnaval e os cultos religiosos sincréticos.

Apropriando-se do nome e da proposta da instituição pernambucana, Jonathas de Andrade, alagoano radicado no Recife, ocupa o primeiro andar do MAR até 22 de março, com uma versão particular, atualizada e política do Museu do Homem do Nordeste. A exposição reúne 18 obras suas e 74 peças da coleção Fundação Joaquim Nabuco (dos acervos do Centro de Estudos da História Brasileira e do Museu do Homem do Nordeste), da Fundação Gilberto Freyre e do Instituto Lula Cardoso Ayres.

O resultado é um conjunto narrativo composto por instalações, vídeos, fotografias, pinturas, objetos e documentos que tensionam estereótipos e ideias pré-concebidas vinculadas à região. O Museu do Homem do Nordeste no MAR possui metodologia de investigação e catalogação de dados própria, que ganha corpo na sala do museu, sendo ela mesma uma proposta museográfica diferente, que informa uma ampla pesquisa sobre contradições e perversidades históricas brasileiras, discutida desde um ponto de vista nordestino, artístico e contemporâneo.

O Museu do Homem do Nordeste é composto por trabalhos com processos longos, tal como Levante, filme que dá visibilidade ao problema dos carroceiros na capital pernambucana: Trabalhadores socialmente invisíveis, que ganham a vida fazendo fretes em carroças de cavalos há décadas, e vêm sendo banidos das vias públicas de Recife pela especulação imobiliária e os veículos motorizados, ficando sem alternativa de sustento. Procurando dar voz à situação, o artista promoveu com os carroceiros a 1a Corrida de Carroças no Centro da Cidade do Recife, um protesto barulhento e celebratório, sob o pretexto de ser o roteiro de Levante. Tal estratégia permitiu a Andrade desenrolar toda a burocracia pública para as devidas autorizações da filmagem e, consequentemente, do protesto.

Enquanto o filme explora esteticamente a ambiguidade típica de obras artísticas que lidam com a realidade, a documentação da Corrida é exposta com notícias da imprensa, declarações e registros do cotidiano dos carroceiros, dando a dimensão desse mundo próximo do qual constrange falar. Quando Jonathas produzia Levante, entre 2012 e 2013, o país viveu as Jornadas de Junho e viu a violenta repressão do Estado. Assim, relatos de acontecimentos dessa época se somam à documentação da Corrida, formando um panorama tenso das recentes convulsões sociais brasileiras.

Os trabalhos da mostra usam táticas de ação distintas. Nos Cartazes do Museu do Homem do Nordeste, o artista publicou anúncios em classificados de um jornal popular do Recife, convocando homens trabalhadores com qualidades como: morenos, mãos fortes, boa índole, entre 30-50 anos, descendentes de escravos, feios ou bonitos, para posarem para arquivo fotográfico. Os interessados deveriam posar do modo como se imaginavam representando a região, e então formariam o catálogo de modelos másculos pouco ortodoxos dos cartazes do Museu. Além destas peças, a obra se completa com seis cadernos de anotações do artista sobre o processo de encontro e realização da foto com o trabalhador, revelando como são compreendidos e reproduzidos estereótipos de masculinidade e erotismo.

O Museu do Homem do Nordeste é um projeto fascinante na sua virulenta discussão cultural, apresentando de modo algo desconfortável crueza material, histórica, e sensualidade bruta. Suas questões atravessam a arte, a casa e a rua, conseguindo ocupar a instituição de forma inteligente e crítica, desconstruindo mitos de um Brasil pós-moderno que finge ignorar a herança escravocrata que ainda paira em 2015.

*Publicado em Jornal O Globo, Segundo Caderno, 6-01-2015

Je suis Charlie. Je ne suis pas Charlie. Je suis Sudaméricaine.

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Emily Jacir. Translate Allah, 2003

Crítica da exposição Made By Brazilians no Complexo Matarazzo, SP

Intervenção de Arthur Lescher. Foto: Ding Musa
Intervenção de Arthur Lescher. Foto: Ding Musa

A arte moderna e a publicidade iniciam na segunda metade do Século 19 percursos paralelos, com artistas como Tolouse-Lautrec criando revolucionárias peças gráficas em cartazes publicitários. A partir dos anos 1950, artistas de vanguarda se apropriam de imagens, ângulos e slogans de propagandas para falar do mundo à sua volta e criticar a emergente sociedade de consumo. Bons exemplos são obras de Richard Hamilton, Rubens Gerchman, Richard Prince e Barbara Kruger. O tempo passou, e hoje a publicidade busca associar às invenções criativas ou frivolidades do mundo artístico contemporâneo, a qualidade e sofisticação de muitos produtos. Seguindo a lógica de produtividade desta época, o mecenato corporativo também vai, por sua vez, apostar no potencial da arte como estratégia para visibilizar empreendimentos, investindo em eventos culturais espetaculares onde a massa de pensamento estético e social que acompanha a arte contemporânea é anulada.

A exposição Made By… feito por brasileiros, no tombado complexo Hospitalar Matarazzo em São Paulo, espelha totalmente o quadro atual das relações entre arte, marketing e mecenato corporativo. Curada pelo francês residente no Rio Marc Pottier e pelo americano Simon Watson, a mostra foi encomendada pelo também francês Alexandre Allard, empresário que adquiriu o imóvel em 2011 junto com uma holding brasileira. Os planos são, assim que aprovadas alterações na lei de tombamento do conjunto arquitetônico de 1904, reformar tudo e instalar um centro de lazer com hotel de luxo, boutiques, gastronomia e espaço cultural. Este ano, aproveitando a época da Bienal de São Paulo, os proprietários decidiram realizar este megaevento cultural que custou quase R$ 13 milhões, sendo R$ 3,5 milhões captados através da Lei de Incentivo à Cultura.

Espetacular, Made By… alcançou um previsível sucesso de público, desagradou a crítica e mobilizou parte da comunidade de artistas paulistanos contra o empreendimento de luxo no hospital histórico que funcionou até 1993. A mostra, produzida em apenas quatro meses, reúne um conjunto inconsistente de obras boas e tantas outras banais, sem uma proposta curatorial clara. A seleção de artistas é internacional e seu título, que denota nacionalismo, se refere ao livro a ser editado por Pottier para uma série de publicações sobre a arte atual dos países do BRICS. Das mais de cem instalações artísticas espalhadas no complexo, muitas são inéditas e várias só foram adaptadas ao cenário. Há intervenções de som, luz, pintura, fumaça, vídeo, esculturas, lambe-lambes, grafite, murais indígenas estilizados, apresentações de capoeira e dança. Alguns artistas contemporâneos dialogam muito bem com a memória do lugar, como é o caso de Héctor Zamora, Frank Scurti, Daniel Senise, Jean-Luc Favéro, Cinthia Marcelle, Vik Muniz e Arthur Lescher. Trabalhos bons mas fora de contexto também chamam a atenção, como é o caso dos vídeos de Nick Cave, Tony Oursler e um filme de Zé do Caixão, entre outros.

Embora o conjunto artístico seja uma miscelânea irregular e de pouco sentido, Made By… oferece obras interessantes, e o lúgubre hospital abandonado é uma locação fascinante que vale a visita. Ainda assim, a escancarada natureza marketeira espanta. Em inúmeras obras lêem-se marcas de patrocinadores logo após o nome do artista, criando confusão com o título do trabalho. Pelo percurso, o visitante é bombardeado com merchandising de galerias, indústria de cimento, champagne, vodka, hotel, cosméticos, sapatos, roupas, banco…

A presença ostensiva das empresas patrocinadoras dá a tônica geral da exposição e a subordina a luxuosos delírios corporativos. Tudo isso, porém, condiz com a filosofia do Grupo Allard, que declara em seu site, no melhor estilo Maria Antonieta que ofereceu brioches ao povo, crer “firmemente que o mundo nunca precisou ou desejou, tanto como agora, os momentos sem preço, únicos e extraordinários que são a marca verdadeira do luxo”. Será?

Publicado em Jornal O Globo, 22/09/2014

Arte x Gênero x Política x Moral religiosa

… Na arte, preceitos religiosos introjetados na sociedade como dogmas muitas vezes são questionados por artistas que acreditam que, em pleno século XXI é mais saudável defender a tolerância e as liberdades individuais do que submeter-se a regras morais impostas por religiões. Na atualidade a religião volta a incitar guerras, ódios, perseguição às minorias étnicas e repressão às mulheres – tal como na Idade Média. Artistas interessados em discutir questões de gênero são os que mais apontam para os problemas da ditadura moral das religiões, mas não só. A seguir, algumas imagens de obras que fazem refletir sobre o tema.

Leon Ferrari. La civilización occidental y cristiana, 1965.
Leon Ferrari. La civilización occidental y cristiana, 1965.
Leon Ferrari. La civilización occidental y cristiana, 1965.
Leon Ferrari. La civilización occidental y cristiana, 1965.

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Mary Beth Edelson. Last Supper. 1972

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Edwina Sandys. Christa, 1975

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Shirin Neshat. Rebellious Silence, 1994

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Marcia X. Desenhando com terços. Performance e Instalação, Anos 1990.

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Andres Serrano. Piss Christ, 1987

Orlan. Santa Orlan. Déc. de 1990.
Orlan. Santa Orlan. Déc. de 1990.
Orlan. Santa Orlan. Déc. de 1990.
Orlan. Santa Orlan. Déc. de 1990.

Fotografo, Logo Vivencio

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Ao chegar na exposição do escultor australiano Ron Mueck no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o visitante se surpreende com a apurada técnica do artista e com a multidão acotovelada para ver e fotografar os seus prodígios hiper-realistas. No grande salão, pessoas que até há pouco não sabiam quem era Mueck e muito menos o que acontecia no Museu, empunham câmeras e celulares para captar, vorazes, imagens dos trabalhos e selfies atropelando quem tenta apenas apreciar as obras.

Se o enorme público estreante no MAM é um fato novo e positivo, pessoas fotografando a si ou a conhecidos diante de trabalhos de arte já não são novidade. Dentro ou fora do espaço expositivo é fácil comprovar que câmeras digitais e smartphones não só popularizaram o ato fotográfico como fazem-no parecer um gesto necessário para desfrutar a vida. No caso de exposições, onde encontra-se lazer associado a reflexão e conhecimento por meio do contato sensível, intelectual e até físico do espectador com a obra, tento imaginar o que os visitantes desejam capturar com suas lentes e como essa mediação digital transforma a experiência estética in loco. Entendo que a natureza de muitas mostras tem apelo publicitário e espetacular, estimulando a incontinência fotográfica, mas observo que o excesso de registros substitui o processo, hoje difícil, de postar-se atentamente diante de um objeto artístico para apreendê-lo na sua forma e conteúdo. Afinal, uma obra de arte não se esgota na visão rápida. (Continua…)

*texto publicado em O Globo, em 5/05/2014

 

¨La cultura no es una industria¨- Entrevista com Manuel Borja-Villel, diretor do Museu Reina Sofía, Madrid.

¿Cómo saldrán parados los museos de esta situación económica?
Pasamos por una crisis de los modelos, donde la hegemonía de los mercados es absoluta. Los museos han reaccionado hacia una espectacularización de las ideas, con un marcado perfil mediático. La TATE es la más mediática de todas. La obra se ha convertido en un bien de intercambio. Su uso consiste exclusivamente en el consumo y si contribuye a algo es quizás a que seamos mejores consumidores, pero no mejores ciudadanos. Este es el riesgo que corremos los museos en la actualidad. Pasamos por un momento en el que hemos de elegir qué queremos hacer y qué no queremos hacer. No podemos olvidar que un museo es importante por su colección porque la historia es ahora más importante que nunca. Aquella idea de la posmodernidad en la que todo flotaba y existía una amnesia del mundo presente hay que contrastarla con la historia. También es fundamental entender que el arte y la cultura son un conocimiento que nos afecta diría que a nivel de piel, capaz de generar afectos y comunidades.

¿Cuál es la función de los museos?
Su función ha cambiado respecto a la que tuvieron cuando surgieron en el siglo XVIII. La función del museo, en un momento en que el mercado y las industrias de la comunicación son tan poderosos es generar espacios de resistencia, libertad y conocimiento. Para ello encuentro importante que sepamos articular tres elementos que a menudo han permanecido en ámbitos separados: la obra, la documentación (información) y la comunidad.

Segue em http://www.elconfidencial.com/cultura/2013/03/11/ldquola-cultura-no-es-una-industriardquo-116533/

Gender, Art, Civil Rights: Brazil on a contraflow! / Gênero, Arte, Direitos Civis: Brasil na contramão!

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Petra Varl: What happened with Zvezda and Odeon?, 2009.

A FAVOR DAS MANIFESTAÇÕES CONTRA A ELEIÇÃO E POSSE DO DEPUTADO E PASTOR MARCOS FELICIANO NA COMISSÃO DOS DIREITOS HUMANOS NO CONGRESSO, O ARTESQUEMA POSTARÁ IMAGENS DE TRABALHOS DE ARTE QUE AJUDEM A CONTESTAR AS IDÉIAS RACISTAS, HOMOFÓBICAS  E FUNDAMENTALISTAS DO PARLAMENTAR E SEU PARTIDO. O BRASIL ESTÁ NA MODA MUNDO AFORA, MAS PRECISAMOS DENUNCIAR O FANATISMO RELIGIOSO SE ENTRANHANDO NA VIDA CIVIL. FORA DEPUTADO FELICIANO, PELA DIVERSIDADE DE CREDO, DE RAÇA E SEXUAL.

Despite all you have been listening about the prodigy of Brazil, the country is living a moment when religious fanatism is getting power. Last week, Brazil’s Chamber of Deputies elected an evangelical pastor as president of its Human Rights and Minorities Commission. He is Deputy Marco Feliciano, a fanatic spiritual lider, who has declared in the past two years that the misery in Africa was caused by Noe`s Damnation, and AIDS is a gay cancer… among other stupidities based on the Holy Bible.
So, artesquema will published images of gender art for the next days, in support for the impeachment of Mr Feliciano off his public situation. Bad education in Brazil is the cause of many freak mistakes in politics, like this one. Get out Mr. Feliciano! Artesquema will post some pics of gender art and colleagues just to shake Fanaticism a little bit.

Gender, Art, Civil Rights: Brazil on a contraflow! / Gênero, Arte, Direitos Civis: Brasil na contramão!

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José Leonilson. Jogos Perigosos (Dangerous Games), 1990
acrílica sobre tela
Coleção Luisa Analjoni Strina. imagem: Eduardo Brandão

Caparazón 2010
Regina José Galindo. “Caparazón”.2010
“El miedo en su forma sonora, en cada estallido, en cada golpe. Mi cuerpo desnudo permanece en posición fetal dentro de un domo blindada. Un grupo de individuos, armados con palos, golpea frenéticamente el domo hasta destrozar sus propias armas”.
(Corpus. Arte in Azione. MADRE, Museo D’Arte Contemporanea Donna Regina. Nápoles, Italia. 2010)

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Yasumasa Morimura. Portrait (Futago). Fotografia. 1988

Natalia LL. Consumer Art. 1974

Rock My Religion / Dan Graham from issole on Vimeo.

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Guerrilla Girls, 1997

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Robert Mapplethorpe. Anos 1980.

Só um lembrete em ano de eleição

“A política e o entretenimento nunca estiveram tão juntos como atualmente, e dificilmente irão se separar. Foi desse encontro que nasceu e se estruturou o ativismo político dos últimos 50 anos, também chamado de ativismo midiático.

Independente da causa em questão, grande parte da comunicação política contemporânea segue a linguagem do espetáculo, como forma de guerrilha. A fórmula serve e é aplicada tanto para fins sociais relevantes como para qualquer outra coisa sem cabimento, por movimentos diversos e até por instituições como os partidos”.

do site:  http://perspectivapolitica.com.br/tag/ativismo-politico/

Juventude pela política, onde anda você? Talvez a arte ainda possa ser uma ferramenta poderosa…