September 19, 2011

Olimpíadas prá quem?

Em meio à bolha de espetáculos e maquiagem da cidade do Rio de Janeiro, uma iniciativa se coloca como possibilidade de discutir o lado de fora do show.

No periodo de 11 a 18/09 foi realizado o encontro Cartografias Insurgentes, no Morro da Conceição – zona residencial tradicional da região do porto, que vê se aproximar o impacto dos projetos de remodelação na vida dos moradores.

Para conhecer a proposta e ver uma séire de materiais produzidos pelos que participaram, visite

http://cartografiasinsurgentes.wordpress.com/

August 24, 2010

Brazil de gringo: Bob Dylan troca microfone por tela e paga mico

A pintura abaixo não é uma original da feira de domingo da Praça.  Tal obra de arte é apenas um daqueles fenômenos de egolatria incentivados pelo marketing e o sistema de celebridades internacional.

Esta pintura, ruim à beça, é de autoria do cantor Bob Dylan, e integra a série The Brazil Series, exibida com pompa, circunstância e texto “crítico” no Statens Museum for Kunst, em Copenhagen. Sinistro.

Bob Dylan`s painting is a ridiculous pastiche of brazilian popular artworks. He could be painting at home for his own purposes for the rest of his life. Why he didn’t?

http://www.smk.dk/en/explore-the-art/exhibitions/coming-exhibitions/bob-dylan-the-brazil-series/

June 15, 2010

Arte enferma

Deu na Folha de São Paulo em 15/06/2010:

Dupla de alemães interna artistas, galeristas, curadores e críticos em clínica de reabilitação em Berlim

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Arte tem cheiro de cocaína. Num mundo de festas encharcadas de champanhe, da velocidade do mercado que acompanha a voracidade do vício, dois alemães decidiram levar artistas, curadores, críticos e galeristas para a clínica de reabilitação.
Benjamin Blanke e Claudia Kapp, também artistas, fizeram dos colegas cobaias para entender o papel das drogas nas artes visuais.
Em vez de mostrar suas obras, pediram ao KW, centro de arte contemporânea em Berlim, que bancasse a desintoxicação de personalidades do meio artístico numa clínica de reabilitação perto da capital alemã.
No meio de uma floresta, o sanatório Havelhoehe recebe até 291 pacientes, tem duas alas de desintoxicação e usa pintura, escultura e também ginástica nos tratamentos.
São adeptos da chamada medicina holística, ou antroposófica, que tenta dar atenção equivalente a aspectos físicos e mentais do paciente.
Internos do projeto, que passaram cerca de dez dias na clínica, foram convocados por e-mail. O convite tinha só uma imagem, a de uma porta fechada, usada pelos artistas para divulgar o projeto.
“Uma pessoa já disse que era uma reflexão sobre estética”, resume Claudia Kapp à Folha. “Não diria que é uma performance, mas um trabalho mais conceitual, de estética relacional iconoclasta.”
Jargões à parte, a realidade dos mais de 200 inscritos no projeto passou longe dessas dimensões filosóficas.
“Desde que cheguei, me dão doses de um pó branco três vezes ao dia para reduzir a ansiedade”, escreveu um crítico de arte internado na clínica. “É como cocaína ao contrário, precisaria cheirar toneladas para sentir qualquer sensação de alívio.”
Mais do que alívio, uma pausa. Na visão dos artistas, as drogas nesse meio não têm mais a ver com ampliar horizontes da percepção, como os anos 60 e 70 popularizaram o uso do LSD e afins.
“É menos hedonista”, diz Kapp. “Está mais ligado à competição: aumentar, melhorar, acelerar a produção.”
Tanto que, além dos artistas que se inscreveram, maior alvo do programa, críticos e galeristas insones com preços nas alturas e a rotina pesada dos vernissages correram para a clínica.

VÍCIOS REAIS
“Alguns deles não eram viciados em nada”, conta Kapp. “Queriam só se desintoxicar do mundo da arte.”
Esses que buscavam uma limpeza ideológica ficaram fora da clínica, onde médicos de verdade, além de psicanalistas e psiquiatras, trataram seus vícios reais.
“À noite, uma toalha encharcada de chá medicinal é aplicada contra meu fígado para absorver as toxinas”, escreveu um crítico alcoólatra internado na clínica.
Ele adianta o relato descrevendo as esculturas de argila que fez para passar o tempo. Enquanto seus dotes artísticos permitiram fazer só umas vasilhas, uma colega esculpiu até um busto de Hitler.
“Conhecemos artistas, amigos pessoais, que estão sofrendo muito com isso”, conta Kapp. “É horrível.”
Ela vê nesse ponto uma relação cada vez mais estreita entre arte e o mundo das celebridades, “estrelas do rock conhecidas pelos excessos”.
Muitos dos inscritos na reabilitação, aliás, achavam que teriam seus trabalhos expostos em Berlim como contrapartida ao tratamento.
“Achavam que ficariam famosos, mas o projeto é anônimo”, diz Kapp. “Tudo tem cada vez menos a ver com arte, há um grande vazio.”

April 30, 2010

Um feira é uma festa

A primeira feira de arte dedicada ao comércio de obras de arte moderna foi a Art Cologne, na Alemanha, inaugurada em 1967.  De lá para cá, as feiras de arte se multiplicaram como pães quentinhos pelo mundo todo, e hoje são tão populares como as Bienais e, em certos casos como a Art Basel na Suíça, ou a ARCO, em Madrid, ocupam o lugar de maior evento dedicado às artes plásticas do país.

Fatores já clichês como a espetacularizção, a mercantilização e a globalização da cultura são diretamente associados ao aparecimento deste fenômeno de natureza mercantil. Assim como uma feira de carros de luxo ou de agronegócios, as feiras de arte são um lugar para aquisição de produtos e negociações.

O que chama maior atenção, porém, é o fato de uma feira de artes carregar forte na maquiagem de glamour. Vender e adquirir obras de arte é sinônimo de poder. Porém, como ser artista nem sempre tem essa conotação, a glamourização destes eventos é uma coisa que fica esquisita por que é descolada da realidade do artista e do que é pensar e fazer arte.

No Brasil então, em meio a tantas problemáticas institucionais, é tristemente divertido notar que uma feira de Arte (diga-se: a SP Artes)  se transformou rapidamente num lugar onde artistas – muitos sem galeria e sem grana para bancar seus trabalhos – disputam um lugar para mostrarem seu sorriso e seu perfume nos corredores do feirão.

É desconcertante, mas pela experiência que tive trabalhando em feiras e galerias de arte, constatei que o artista em carne e osso, principalmente aquele que é jovem e sem galeria, é o último na lista de prioridades dos galeristas e dos compradores. Abaixo dele, só vem mesmo o público curioso de classe média, que tem dinheiro no máximo para comprar um livro.

Uma feira é uma festa muito animada. Os convidados plebeus, em sua maioria artistas que produzem obras de arte, vestem a melhor roupa para ajudar a esquentar a cama daqueles que fazem a fama e dinheiro – e cujas preocupações estão mais próximas da experiência lucrativa do que da experiência estética.

Um brinde ao capitalismo!

———

Segue a leve e hilária matéria do Estadão sobre a SP Artes:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100430/not_imp545049,0.php

March 21, 2010

GEOPOLÍTICA DEL ARTE: NOCIONES EN DESUSO

GEOPOLÍTICA DEL ARTE: NOCIONES EN DESUSO – Néstor García Canclini

1. ¿Cómo definir en las artes las relaciones entre norte y sur o entre oriente y occidente? Distintas épocas generaron narrativas que hoy son difíciles de aplicar como: colonialismo, imperialismo, poscolonialismo. Subsisten procesos de dominación que merecen los primeros dos nombres, pero la mayor parte de los vínculos asimétricos, desiguales, entre países o culturas requieren otros conceptos, que aún no tenemos.

Las teorías poscoloniales, nacidas en India y otros países asiáticos independizados hace cinco o seis décadas, son menos productivas en América latina, donde muchos países celebran este año el bicentenario de su independencia. Algunos latinoamericanistas de la academia estadounidense intentan destacar los “legados coloniales”, especialmente en zonas con alta población indígena. Pero si uno quiere tomar en cuenta lo que sucede en las ciudades (donde habita más del 70%), aun en el centro histórico de la ciudad de México, el que conserva más edificios de la colonia, los problemas demográficos y económicos, de tráfico y contaminación, de desarrollo cultural y social, necesitan ser leídos como efectos de las contradicciones modernas.

Continua em http://salonkritik.net

February 11, 2010

Happy Art : )

Ah, que fofo!

O Happy Art Collectors é um clube de colecionadores… felizes! Que beleza! Deve mesmo ser muito bom ter uma graninha extra para gastar com arte. Alguém duvida? Agora vejam abaixo o statement dos Colecionadores da Arte Feliz, e a tradução inacreditável para o português. Tim-tim!

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