Filme do Banksy

Filme sobre Banksy não esclarece o grande mistério sobre o artista Obra de Banksy no filme (do Globo online)

‘Exit through the gift shop’ / Divulgação Uma sensação esquisita acompanhou os espectadores da última sessão de domingo da mostra oficial do Festival de Berlim. Muitos saíram da exibição do documentário “Exit through the gift shop” acreditando que, até o fim da semana, sem que ninguém perceba, o Berlinale Palais, principal cinema do Festival, vai amanhecer com algum símbolo anarquista desenhado no urso que simboliza Berlim. Ou que, talvez, toda a fachada ganhará adesivos de outras mostras de cinema. Ou, ainda, que um elefante com a cara do brincalhão Dieter Kosslick, diretor do Festival, surgirá caminhando numa das ruas da Potsdamer Platz.

A razão de tanta imaginação se deve ao responsável por “Exit through the gift shop”. Ou, ao menos, àquele que se apresenta como diretor do filme, o artista plástico britânico Banksy. O documentário foi lançado no fim do mês passado, em Sundance, e acabou selecionado para a mostra oficial de Berlim, mas fora de competição. A expectativa era grande por todo o mistério que cerca a figura de Banksy. Desde que surgiu, nos anos 1990, como um dos expoentes da street art, a arte de rua, ninguém descobriu ao certo seu nome, viu seu rosto ou visitou sua casa. Imaginava-se, então, que o filme esclareceria alguma coisa. Mas “Exit…” foi tão direto ao ponto quanto um episódio da série televisiva “Lost”.

Antes da projeção, foi anunciado que seria exibido um vídeo feito por Banksy especialmente para o festival. O artista apareceu na tela com seu figurino habitual: calça jeans, casaco com capuz e seu corpo às escuras. Sentado num local onde disse ser sua casa (uma espécie de caverna, com um carrinho de sorvete todo pichado ao fundo), Banksy falou com uma voz modificada digitalmente, meio Darth Vader, a mesma que ele utiliza no documentário: “Algumas pessoas estão dizendo que o filme é uma mentira. Mas isso não é verdade. ‘Exit through the gift shop’ é um filme honesto. Não havia roteiro, planos, nem sabíamos que estávamos fazendo um filme. E acho que é um bom filme, sobretudo se você tiver uma expectativa baixa”.

Baixa ou não, a única expectativa que o documentário não atende é em relação a seu diretor. O filme trata pouco da carreira de Banksy. O foco, na verdade, é o francês Thierry Guetta, um entusiasta do grafite que passou anos registrando em vídeo o trabalho de artistas de rua como Shepard Fairey (autor do famoso cartaz “Hope” para a campanha presidencial de Barack Obama) e o próprio Banksy. Guetta teria estado ao lado de Banksy quando este colocou um boneco pintado como prisioneiro de Guantánamo num parque da Disney, em Orlando. Ele também teria comparecido, entre várias celebridades, à exposição “Barely legal”, que o artista montou em Los Angeles e cujo destaque foi a presença de um elefante vivo pintado de rosa.

Segundo o filme, Banksy primeiro incentivou Guetta a ele próprio fazer um documentário sobre o trabalho dos artistas de rua, mas o resultado foi risível — “Exit…”, por sua vez, traça um panorama de uma década de street art através dos olho de Guetta. Banksy, então, teria convencido o videomaker a criar arte. Surge, então, Mr. Brainwash (Sr. Lava Cérebro). Com uma forte campanha de marketing, Mr. Brainwash se tornou em pouco tempo uma sensação pop nos EUA. A capa do último disco de Madonna, a compilação “Celebration”, foi feita por ele.

Anteontem, curiosamente próximo ao burburinho causado pelo documentário, Brainwash abriu sua primeira exposição em Nova York, intitulada “Icons”. Sua arte, basicamente, trata de apropriação da arte alheia. É uma espécie de remix no mundo das artes plásticas. Vários quadros sampleiam obras de Andy Warhol, Piet Mondrian ou, logicamente, de Banksy. Em 2008, numa exposição na Sunset Boulevard, em Los Angeles, ele montou a imagem do quadro “Nighthawks”, de Edward Hopper, em tamanho real.

Apesar de Banksy criticar a forma como Brainwash comercializa a arte (“Saia pela loja de presentes”, diz o título do documentário), o filme só tem feito sua popularidade aumentar, apenas com os ecos de dois festivais de cinema. Em Berlim, durante a entrevista coletiva de “Greenberg”, de Noah Baumbach, no domingo, um jornalista pediu licença para perguntar para o ator galês Rhys Ifans o porquê de “Exit…” não ter representantes no festival para uma entrevista. Ifans, que faz a narração do documentário e que foi o amigo tresloucado de Hugh Grant em “Um lugar chamado Notting Hill”, despistou: “Infelizmente Banksy morreu anteontem”.

Especula-se, agora, se Banksy e Guetta não seriam a mesma pessoa. Ou se Brainwash não seria mais uma intervenção de um artista que começou a carreira no submundo e que já teve trabalhos expostos na Tate Britain, em Londres e no Museum of Modern Art, em Nova York. Mas a única certeza que se tem é que “Exit through the gift shop” tem todo o jeito de ser apenas a ponta de uma intervenção de Banksy que saiu das ruas e entrou nos cinemas.

http://oglobo.globo.com/blogs/cinema/posts/2010/02/16/filme-sobre-banksy-nao-esclarece-grande-misterio-sobre-artista-266726.asp

SÃO PAULO MON AMOUR convida

Prezado Público,

Levando em consideração que “a cidade favorece a arte, é a própria arte” (Lewis Munford), os artistas Ricardo Farias e Wagner Lucas construirão uma obra, dentro do gênero da performance e da vídeo-arte, que pretende discutir o lugar da arte hoje, ironicamente realizarão um deslocamento, movendo o público para um contexto onde se permitam
gozar da experiência com a cidade e não apenas com a obra em questão.

O evento que organizam se passará no Elevado Costa e Silva e nas dependências do edifício Estádio, especialmente na empena cega que dá face para a Avenida Pacaembu. Entre os elementos que compõem a obra,figura uma vernissagem, nos moldes de uma galeria, que ocorrerá ao mesmo tempo em que realizarão a performance na fachada em questão.

Assim sendo, convidamos a todos para um café da manhã que se passará a partir das 5h00 da madrugada, no dia 21 de abril de 2009, terça-feira,no elevado Costa e Silva logo acima do cruzamento com a Avenida Pacaembu, para partilharem conosco bons momentos ao raiar do dia e presenciarem a criação destes artistas.

A obra tem por destino a apresentação na exposição exposição intitulada “SÃO PAULO MON AMOUR”, que terá lugar em Paris no decorrerdo mês de Setembro de 2009 na “Maison des Métallos”, um importante estabelecimento cultural da cidade.

Cordialmente,

Sérgio Franco
Curador da Exposição São Paulo Mon Amour

site do evento: http://www.engodo.fr

Mais do mesmo, só que do outro lado: com a palavra, os curadores

Este assunto está enchendo o saco, mas não poderia deixar de publicar a resposta dos curadores para essa comoção em torno da garota Caroline. Vamos lá:

Da Folha de São Paulo

Caso Caroline: algumas questões não consideradas
IVO MESQUITA
ANA PAULA COHEN
especial para a Folha de S.Paulo

Com o intuito de abrir perspectivas no debate, sensacionalista e
passional, criado pela imprensa em relação à 28ª Bienal de São Paulo
e à prisão de Caroline Pivetta da Motta, 24 anos, nós, curadores do
evento, gostaríamos de trazer algumas considerações e perguntas que
nos parecem pertinentes à questão.

Primeiramente, não podemos esquecer que, ao contrário da operação
noturna e silenciosa peculiar aos pichadores, o acontecimento na
Bienal está longe de poder ser chamado de estético e pacífico: 40
jovens invadem o pavilhão da Bienal como um arrastão, derrubando
tudo, agredindo pessoas fisicamente, com o objetivo de, segundo a
convocatória pela internet de seu líder Rafael Augustaitz, pichar o
segundo e o terceiro andar, destruindo todas as obras.

Foi mais um gesto peculiar deste grupo destrutivo, que, desde as
invasões do Centro Universitário Belas Artes e da galeria Choque
Cultural, usa a pichação como meio para apagar e danificar o
trabalho dos outros artistas.

Caroline e outros dois jovens picham as paredes do prédio da Bienal,
projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer

Será que o meio artístico não se dá conta do autoritarismo de tal
gesto, do que ele implica de censura ao outro? Não é preocupante
perceber que a tática de um ex-estudante de artes é fazer do
apagamento de outros artistas um fenômeno midiático? Sim, pois a
imprensa e os canais de internet foram avisados três horas antes do
ataque à Bienal e estavam postados esperando pelo espetáculo!

Não foi, portanto, um preenchimento do vazio ou uma resposta “em
vivo contato”, o que da parte da curadoria nunca supôs o uso de
violência.

Não se tratou tampouco de colar stickers, fazer barcos de papel, ou
tocar música no segundo andar do pavilhão –como de fato ocorreu no
decorrer da mostra– mas de vandalismo agressivo e autoritário.

Por outro lado, como curadores e cidadãos republicanos, estamos de
acordo de que a punição para Caroline é pesada e inadequada.
Lamentamos por ela e pela sua instrumentalização por certa mídia.

Mentor de invasões

Perguntamo-nos onde estaria o mentor intelectual de tal ataque, ex-
aluno do Centro Universitário Belas Artes, que expõe nome e
sobrenome como autor das três invasões, e que saiu do pavilhão da
Bienal prometendo continuar pichando outros museus de São Paulo?

No infeliz caso de Caroline, devemos, entretanto, reconhecer que sua
condição atual é resultado de mais uma filigrana jurídica, advinda
de uma interpretação estrita da lei.

Mas não é essa mesma uma característica da Justiça no Brasil, a
desigualdade na sua aplicação?

Não são filigranas jurídicas que mantêm criminosos condenados
vivendo em liberdade sem haver cumprido suas penas? Então, ao
discutirmos instituição no Brasil, parece que o problema não é
apenas das instituições culturais ou da Bienal de São Paulo.

Percebe-se um esvaziamento também da justiça, da educação, da saúde.
Ou ainda das políticas públicas para a habitação, o que faz com que
Caroline fique detida por falta de comprovante de endereço.
Contraditoriamente, o Estado não lhe assegurou uma moradia até
agora, conforme se depreende da lei que a mantém na cadeia!

Se Caroline possuísse um comprovante de residência, ainda haveria a
questão de quem a acusa do crime que ela responderia em liberdade. O
parque Ibirapuera é uma área de preservação ambiental e o Pavilhão
da Bienal é um prédio tombado e monumento histórico estadual. Foi
contra eles que o grupo investiu e do qual ela se tornou o bode
expiatório perante a lei.

Tombamento

Desde 2003, é muito difícil para qualquer curadoria lidar com as
novas leis de tombamento do edifício, pois elas têm impedido a
realização de diversos projetos de artistas e obrigado todas as
partes a um processo de amplas e longas negociações. Há uma lei e
transgredi-la implica risco. Talvez também fosse oportuna uma
discussão sobre essa legislação, que acabará por fazer do pavilhão
um espaço inadequado ao caráter experimental e de laboratório que
supõe uma mostra que quer dar conta das práticas artísticas
contemporâneas, pois ela é muito pouco flexível para novos usos do
prédio.

Se o interesse da 28ª Bienal fosse ser um espetáculo midiático e
criar um discurso populista apaziguador e demagógico –o que,
acreditamos, seria pouco efetivo e em nada transformador da situação
em que vivemos–, certamente poderíamos ter nos utilizado do
ocorrido no dia 26 de outubro para deslocar todo o debate proposto
pelo projeto original da 28ª Bienal, agora realizado, para discutir
a relação entre grafite, pichação e arte; arte contemporânea,
educação e inclusão; cultura urbana e a questão centro-periferia em
São Paulo, entre outros tópicos.

Poderíamos ter convidado os invasores a virem participar do debate,
a pichar as paredes da bienal, entre outras ações populistas e
instrumentalizadoras. Nossa opção foi e continua sendo a de não
fazer uso do ocorrido, e muito menos da injusta prisão de Caroline,
para promoção pessoal ou como plataforma política, oportunista e
demagógica.

Parece-nos ainda interessante observar que enquanto o meio
artístico, instigado por uma falsa polêmica, procura culpar
o “vazio”, a Fundação Bienal ou a curadoria da 28ª Bienal de São
Paulo pela prisão de Caroline, os próprios integrantes de seu grupo
foram direto ao assunto.

Picharam, no último dia 5 de dezembro, a casa de um ex-prefeito,
acusado de inúmeros delitos e que responde aos processos em
liberdade, a seguinte frase: “Cadeia é só para pobre… Liberdade
Carol. Susto’s”.

Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen foram os curadores da 28ª Bienal de
São Paulo

Caroline Piveta da Mota, está presa há quase 50 dias por pixar as paredes vazias da Bienal de São Paulo.O link a seguir é um abaixo-assinado pela sua liberdade.
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3309

Destinatário: FUNDAÇÃO DA BIENAL DE SÃO PAULO E MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

No dia da abertura da 28ª Bienal de Artes de São Paulo, 40 pichadores entraram no Pavilhão e “atacaram” com seu design gráfico todo particular o segundo andar o prédio, o local que estava o chamado “vazio” proposto pela curadoria que consistia de paredes e pilastras brancas. Na ocasião, a pichadora Caroline Piveta Mota foi a única detida sob a alegação de depredar o patrimônio público. Acusada de se associar a “milicianos” para “destruir as dependências do prédio”, a jovem continua presa.

O que nós, agentes culturais, estranhamos é que existe um paradoxo nesse caso, pois se trata de patrimônio público, mas também de uma mostra de arte contemporânea, local propício para esse tipo de manifestação desde o começo do século 20.

Como escreveu o professor e artista Artur Matuck: “As paredes foram pichadas e repintadas e a mostra não foi prejudicada. Independente da discussao estética, se a pichaçao é ou não arte, se se justifica ou não, a atuação deste grupo ao invadir o prédio da Bienal com um grupo de pichadores, foi também um ato expressivo, foi inequivocamente uma manifestaçao cultural. […] Uma discussão ampla e bem informada sobre o fenômeno cultural da pichaçao é relevante desde que na medida em que não é validado enquanto expressao artistica pode ser considerado como vandalismo e justificar repressão”.
Repressão essa que faz Caroline estar presa até hoje e ainda pegar uma pena de 3 anos.
Por isso pedimos: LIBERTEM A PICHADORA CAROLINE PIVETA DA MOTA!

Anarkia Graffiti

“Grafite Conceitual”. Esse é o título irônico da ‘exposição’ de Anarkia, no Rio de Janeiro. Crítica, a grafiteira ocupa a Grande Galeria do Rio de Janeiro. Para localizar as ‘obras’, é só procurar no mapa das ruas da cidade.

É um contraponto bastante inteligente ao atentado à Choque Cultural (ao ato em si como àqueles que pensaram o ato). Barbarizar prá gerar discussão é uma tática imediatista e mídiática, portanto certamente eficaz. Mas trabalhar em surdina, no dia-a-dia e na perseverança provavelmente deixará lições mais construtivas – e duradouras.

Anarkia é uma das duas mulheres a integrarem a Bienal de Graffiti que acontece este ano em BH. Evento cuja proposta, aliás, acho bem esquisita…

O site da moça vale uma olhada 

Anarkia Graffiti

Ataque de pixadores à Choque Cultural

rraurl.com :: cena | Ataque à Choque Cultural

De acordo com a Folha de S.Paulo, a ação foi organizada – via email – por Rafael Guedes Augustaitiz (Rafael Pixobomb), o mesmo artista que em julho deste ano tinha sido expulso da Faculdade de Belas Artes (SP) por ter realizado uma ação semelhante nas instalações do curso. A ação na Choque Cultural foi fotografada e publicada em uma página do FlickR.

A convocatória para o manifesto foi feita através de um flyer chamado ATTACK PART 2 : A CAMINHO DA REVOLUÇÃO 2008 que dizia:

“Evadiremos (sic) com nossa Arte Protesto uma bosta de galeria de arte CHOQUE CULTURAL. Segundo sua ideologia abriga artistas do UNDERGROUND, então é TUDO NOSSO! Declararemos TOTAL PROTESTO.
Local de encontro: Praça Benedito Calixto Rua Cardeal ArcoVerde com Rua Lisboa, próximo dos Metrôs Clinicas e Sumaré.
Horário: 15:00hs > SÁBADO 06/09/08

RESGATEM FRASES !
VIVA A PIXAÇÃO

“TODOS PELO MOVIMENTO PIXAÇÃO”

“Evadir” é quase o contrário de “invadir”. Mas, foi feita uma invasão. O mais interessante disso tudo é o debate mesmo.

comentários: http://www.flickr.com/photos/_choquephotos_/2840611648/

Os Armênios » Anti-Heroínas

O que Rê Bordosa, Valerie Solanas e a Barbie Armênia tem em comum?

Pesquisando sobre o livro SCUM Manifesto da feminista e pirada Valerie Solanas (que atirou em Andy Warhol), me deparei com este blog sobre assuntos ligados a contracultura e quadrinhos. Muito divertido e pasmem! A sede não fica em São Paulo – hehehe.

A página sobre as heroínas citadas está no link Os Armênios » Anti-Heroínas

Russell Cobb

Interessante conhecer o belo trabalho deste ilustrador inglês que, como muitos colegas seus, basicamente trabalha para o mercado editorial. Seu trabalho poderia ser enquadrado na categoria de Artes Plásticas mas ele prefere se definir como ilustrador mesmo, designer gráfico. O que quero dizer com isso? Que a categoria obra de arte não necessariamente enquadra tudo o que tem valor artístico – e nem tudo que se diz obra de arte deve ser automaticamente considerado como tal. O fato de algo ser ou não considerado uma obra de arte não denota à priori um valor enobrecedor ou pejorativo ao objeto…