February 16, 2010
Filme sobre Banksy não esclarece o grande mistério sobre o artista Obra de Banksy no filme (do Globo online)
‘Exit through the gift shop’ / Divulgação Uma sensação esquisita acompanhou os espectadores da última sessão de domingo da mostra oficial do Festival de Berlim. Muitos saíram da exibição do documentário “Exit through the gift shop” acreditando que, até o fim da semana, sem que ninguém perceba, o Berlinale Palais, principal cinema do Festival, vai amanhecer com algum símbolo anarquista desenhado no urso que simboliza Berlim. Ou que, talvez, toda a fachada ganhará adesivos de outras mostras de cinema. Ou, ainda, que um elefante com a cara do brincalhão Dieter Kosslick, diretor do Festival, surgirá caminhando numa das ruas da Potsdamer Platz.
A razão de tanta imaginação se deve ao responsável por “Exit through the gift shop”. Ou, ao menos, àquele que se apresenta como diretor do filme, o artista plástico britânico Banksy. O documentário foi lançado no fim do mês passado, em Sundance, e acabou selecionado para a mostra oficial de Berlim, mas fora de competição. A expectativa era grande por todo o mistério que cerca a figura de Banksy. Desde que surgiu, nos anos 1990, como um dos expoentes da street art, a arte de rua, ninguém descobriu ao certo seu nome, viu seu rosto ou visitou sua casa. Imaginava-se, então, que o filme esclareceria alguma coisa. Mas “Exit…” foi tão direto ao ponto quanto um episódio da série televisiva “Lost”.
Antes da projeção, foi anunciado que seria exibido um vídeo feito por Banksy especialmente para o festival. O artista apareceu na tela com seu figurino habitual: calça jeans, casaco com capuz e seu corpo às escuras. Sentado num local onde disse ser sua casa (uma espécie de caverna, com um carrinho de sorvete todo pichado ao fundo), Banksy falou com uma voz modificada digitalmente, meio Darth Vader, a mesma que ele utiliza no documentário: “Algumas pessoas estão dizendo que o filme é uma mentira. Mas isso não é verdade. ‘Exit through the gift shop’ é um filme honesto. Não havia roteiro, planos, nem sabíamos que estávamos fazendo um filme. E acho que é um bom filme, sobretudo se você tiver uma expectativa baixa”.
Baixa ou não, a única expectativa que o documentário não atende é em relação a seu diretor. O filme trata pouco da carreira de Banksy. O foco, na verdade, é o francês Thierry Guetta, um entusiasta do grafite que passou anos registrando em vídeo o trabalho de artistas de rua como Shepard Fairey (autor do famoso cartaz “Hope” para a campanha presidencial de Barack Obama) e o próprio Banksy. Guetta teria estado ao lado de Banksy quando este colocou um boneco pintado como prisioneiro de Guantánamo num parque da Disney, em Orlando. Ele também teria comparecido, entre várias celebridades, à exposição “Barely legal”, que o artista montou em Los Angeles e cujo destaque foi a presença de um elefante vivo pintado de rosa.
Segundo o filme, Banksy primeiro incentivou Guetta a ele próprio fazer um documentário sobre o trabalho dos artistas de rua, mas o resultado foi risível — “Exit…”, por sua vez, traça um panorama de uma década de street art através dos olho de Guetta. Banksy, então, teria convencido o videomaker a criar arte. Surge, então, Mr. Brainwash (Sr. Lava Cérebro). Com uma forte campanha de marketing, Mr. Brainwash se tornou em pouco tempo uma sensação pop nos EUA. A capa do último disco de Madonna, a compilação “Celebration”, foi feita por ele.
Anteontem, curiosamente próximo ao burburinho causado pelo documentário, Brainwash abriu sua primeira exposição em Nova York, intitulada “Icons”. Sua arte, basicamente, trata de apropriação da arte alheia. É uma espécie de remix no mundo das artes plásticas. Vários quadros sampleiam obras de Andy Warhol, Piet Mondrian ou, logicamente, de Banksy. Em 2008, numa exposição na Sunset Boulevard, em Los Angeles, ele montou a imagem do quadro “Nighthawks”, de Edward Hopper, em tamanho real.
Apesar de Banksy criticar a forma como Brainwash comercializa a arte (“Saia pela loja de presentes”, diz o título do documentário), o filme só tem feito sua popularidade aumentar, apenas com os ecos de dois festivais de cinema. Em Berlim, durante a entrevista coletiva de “Greenberg”, de Noah Baumbach, no domingo, um jornalista pediu licença para perguntar para o ator galês Rhys Ifans o porquê de “Exit…” não ter representantes no festival para uma entrevista. Ifans, que faz a narração do documentário e que foi o amigo tresloucado de Hugh Grant em “Um lugar chamado Notting Hill”, despistou: “Infelizmente Banksy morreu anteontem”.
Especula-se, agora, se Banksy e Guetta não seriam a mesma pessoa. Ou se Brainwash não seria mais uma intervenção de um artista que começou a carreira no submundo e que já teve trabalhos expostos na Tate Britain, em Londres e no Museum of Modern Art, em Nova York. Mas a única certeza que se tem é que “Exit through the gift shop” tem todo o jeito de ser apenas a ponta de uma intervenção de Banksy que saiu das ruas e entrou nos cinemas.
http://oglobo.globo.com/blogs/cinema/posts/2010/02/16/filme-sobre-banksy-nao-esclarece-grande-misterio-sobre-artista-266726.asp
January 27, 2010
A Cuba Libre do século XXI começa aqui:
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January 5, 2010
Para começar o ano!
Vito Acconci – arte e política da performance à arquitetura
Por Daniela Labra (publicado na Revista Dasartes, Nº7, 12/2009)
Em setembro de 2009, por ocasião da segunda edição do evento Performance Presente Futuro, no Oi Futuro, Rio de Janeiro, o artista e hoje arquiteto Vito Acconci deu uma palestra sobre sua trajetória profissional. Conhecido no meio da arte como um dos precursores da body art nos anos 1970, nos Estados Unidos, suas performances e videos da época constituem um referencial importantíssimo para as gerações subseqüentes que discutiram e ainda discutem questões relacionadas à crítica institucional, à arte como ferramenta ativista e sua aproximação com a vida.
Nesta conversa, realizada num bar carioca à beira-mar, Acconci mostra-se o mesmo homem crítico e lúcido – embora tenha trocado, nos anos 1990, a arte conceitual de veia política por projetos arquitetônicos arrojadamente lúdicos, frequentemente financiados por fundos de Estado ou grandes corporações. Entretanto, o seu discurso ainda se apóia na mesma crença que move seu trabalho desde o início: de que a arte deve tocar o outro e impedir a banalização da existência.
À seguir, o artista fala sobre alguns pontos de sua trajetória, incluindo o mal-estar que cercou a execução de uma versão não-autorizada do projeto idealizado para o evento paulista Arte/Cidade, em 2002.
Você participou do projeto Arte Cidade, em São Paulo, e houve discussões sobre sua proposta (uma construção translúcida, suspensa por uma marquise central, instalada sob o viaduto do Largo do Glicério, com acesso feito por 3 escadas, sendo uma delas a partir do alto do viaduto. A obra era destinada aos sem-teto e possuía instalações para higiene pessoal e lazer. Ao fim, a produção do evento executou, sem o consentimento do Studio Acconci, uma espécie de contêiner adaptado). O que ocorreu?
Na época da mostra, Nelson (Brissac Peixoto, curador do Arte Cidade) e eu passeamos pela cidade e vimos muitas pessoas morando embaixo de viadutos. Pensamos que nosso projeto poderia dar casas a estas pessoas, mas que elas também precisavam de entretenimento. Então desenhamos uma espécie de casa invertida, em que um lado do teto se estendia até o chão e servia de escada para que as pessoas subissem e entrassem neste prédio de cabeça para baixo, que não precisava de teto porque teria a autopista do viaduto como um. Propusemos diferentes usos para aquilo: poderia haver uma tela de televisão e os pisos diagonais poderia servir como arquibancadas de um anfiteatro, ou poderia haver um playground para crianças… Enquanto projetávamos, Nelson se perguntava se teriam dinheiro para construir este prédio, mas quisemos apresentar o projeto independentemente disto. Fiquei muito surpreso quando ele me enviou um jornal noticiando nosso projeto. A figura mostrada no jornal era uma espécie de caixa, que foi chamada de “studio para os sem-teto”. Escrevi ao Nelson imediatamente dizendo que aquele não era nosso projeto, que não era nada diferente de qualquer construção para programas habitacionais, e que toda a idéia da recreação tinha desaparecido, e ele me respondeu que era o único modo pelo qual poderíamos ter nossa obra realizada. Não me opunha que ele fizesse isto, mas não poderia chamar este projeto de “nossa obra” porque não era. Às vezes a imagem de um projeto é mais eficaz que um projeto real, porque funciona melhor como uma espécie de ensaio. Quando você está dentro de um projeto você está perto demais para conhecer sua teoria. Nunca entendi porque Nelson insistiu em fazer aquilo.
Você via este projeto como algo para ser aplicado nas ruas ou apenas um projeto artístico, conceitual?
Nada do que fazemos agora é projeto artístico. Fazemos arquitetura, fazemos design,… Mas não queremos ser apenas “uso”; queremos uso e algo mais. Se a utilidade fosse o único objetivo, aceitaria o que Nelson fez, pois era um lugar útil. Mas queremos um lugar que as pessoas usem e onde ocorram mudanças de pensamentos. Para o Arte Cidade, precisávamos da ajuda de Nelson, porque não conhecemos São Paulo, nem esse bairro. Teríamos adorado conversar com alguns desabrigados, porque de outro modo, nós estaríamos vindo de fora e dizendo “vocês querem isso”; sem saber o que realmente querem. Nunca nos encontramos com os sem-teto porque nunca soubemos que o projeto iria acontecer.
Algo admirável neste projeto é que ele valoriza os sem-teto. Em geral, projetos para a população pobre dão a ela o pior: o pior material, o desenho mais básico.
Em primeiro lugar, sabíamos que as pessoas geralmente não querem entrar em locais públicos fechados porque; quem sabe o que pode acontecer ali? Então usamos lâminas de plásticos de modo que se pudesse ver o interior. Havia luz no interior, porque aquela vizinhança não era muito freqüentada a noite, então pensamos que a luz poderia trazer as pessoas para o seu redor, não teriam medo deste local. E isso pareceu realmente importante para nós.
Saberia precisar quando fez a transição da arte para a arquitetura?
Foi no início dos anos 1980, mas foi no final dos anos 1990 que comecei a trabalhar com arquitetos. Eu pensei que, se eu quisesse trabalhar com espaços públicos, não poderia fazê-lo sozinho. Não apenas porque eu não sabia como fazer arquitetura, mas também porque algo público deve ser resultado de uma discussão. Quando temos pessoas de diferentes nacionalidades e gêneros em conversa, todos têm uma idéia diferente de “público”, e unindo estas idéias podemos chegar a uma noção válida. Então, desde o final dos anos 80, todos os projetos vêm de um Studio de arquitetura.
E qual o motivo desta transição?
Eu apenas não sabia mais o que eu queria fazer em uma galeria ou em um museu. Assim como outras pessoas da minha geração, lá pelos anos 1970 vimos que os museus estavam mudando, mas não como pensávamos que deveriam, não em resposta a nossas perguntas: “por que os museus não têm janelas?”. “A arte é frágil? É tudo isso?”. Eu não sabia que significados as coisas poderiam ter além do básico: isto dá às pessoas um lugar para sentar, isto dá às pessoas um espaço mais fechado ou mais aberto. Comecei a me interessar por esta linha de pensamento, apesar de não buscar significados, pois acho que eles surgem quando as pessoas estão no meio de uma atividade. Acho que faz sentido que eu tenha vido de um histórico de performance, eu não quero que a arquitetura seja essa coisa imóvel, quieta… Espero que o trabalho de todo mundo venha de algum tipo de sistema de pensamento e que resulte do modo como eles vêem o mundo. É bom saber que não existe apenas um modo de se ver o mundo, se todos vissem o mundo ao meu modo, seria um mundo muito chato. Por isto não posso dizer que, com meus projetos, esteja mostrando às pessoas como pensar, mas aqui está um exemplo.
Você sente que, a partir dos anos 1990, a arquitetura deixou de ser uma combinação entre o artístico e o prático e tornou-se algo apenas prático?
Bem, até pior que isso. Nos anos 80, acho que muitos arquitetos pensavam de modo artístico, em uma versão de “vamos fazer uma casa na qual a porta se pareça com uma boca e as janelas se pareçam com olhos; vamos fazer uma casa com o teto furado…”. É quase como se a Disneylândia tivesse chegado à arquitetura. . Então começamos uma arquitetura muito chata e formal. Tínhamos Bauhaus, algo que deveria ser muito funcional mas tinha uma preocupação estética; mas daí nos anos 1990, havia apenas o funcional e chato: você tem a Sexta Avenida em Nova York, onde há apenas essas caixas, seguidos de caixas e mais caixas,…Os projetos com influência da Bauhaus eram ótimos, mas uma vez que foram repetidos ao redor de todo o planeta, tornaram-se chatos. Não acho que estes criadores sejam preguiçosos, eles apenas pensaram “esse é um meio de construir mais barato do que construíamos antes”. As corporações têm seus próprios programas, que não consideram a convivencia social dos empregados ou a noção de espaço público. Como os shopping centers, onde o espaço é para o público, mas não é público. Mas há pessoas pensando diferente. Recentemente, fomos procurados por um corretor de uma empresa que está comprando vários centros comerciais (strip malls) nos Estados Unidos e queria que os reformássemos. Estes aglomerados de lojas, geralmente nos subúrbios ou entre as cidades, são muito comuns nos Estados Unidos e são todos iguais, como caixas. Este investidor queria que 60% ou 70% desta estrutura fosse mantida e que, para os resto, propuséssemos algo surpreendente. Tinham interesse em fazer espaços modificáveis, para que a pessoa que alugasse uma loja pudesse aumentá-la ou reduzi-la, então sugerimos postes curváveis para fazer cada loja, um sistema muito maleável, que pode inclusive ser usado no lado de fora, para se fazer um jardim coberto. Eles ficaram muito interessados, mas ainda não sei se isto vai acontecer.
É possível imaginar que a extrvagância atual de alguns artistas esteja relacionada ao mercado, que sempre busca o novo. Com sua arquitetura, você parece entender que o novo está dentro de si, de cada indivíduo, e que é necessário respeitar a própria forma de pensar fora do senso-comum. É assim que você pensa sua arquitetura?
Me questiono se a arte pode algum dia ser separada do sistema monetário. Os trabalhos da minha geração, por exemplo, só foram possíveis porque as galerias de Nova Iorque começaram a mudar de bairro, para o então afastado Soho, e em suas primeiras mostras não podiam pensar em ganhar dinheiro, mas em chamar a atenção. Não foi um mistério o motivo pelo qual a Sonnabend expôs Seedbed, as esculturas cantoras (singing sculptures) de Gilbert & George, a mostra de Dennis Oppenheim. Nenhuma delas gerou dinheiro, mas trouxeram as pessoas para dentro das galerias, e havia sempre uma sala dos fundos onde se vendia as obras que elas queriam. Não dar nada para as galerias venderem foi motivo de frustração para minha geração, mas o que não entendíamos era que fornecíamos algo decorativo, e as galerias precisam do decorativo tanto quanto precisam do atraente; ou até mais. Quando eu fiz Seedbed, a dona da galeria me ligou dizendo que tinha ouvido que eu faria algo muito notável em sua galeria e que fizesse o que eu quisesse. Quatro ou cinco anos depois, o Soho já havia se consolidado como uma região de galerias de arte e os telefonemas eram muito diferentes: “precisamos ter alguma coisa pra vender”; “precisa ser documentado”. Ou seja, as coisa mudaram. Ela era com certeza a negociante mais interessante com qual eu já expus. Em uma entrevista, perguntaram a ela o que a fazia continuar, e sua resposta foi “curiosidade e ganância”. (Risos) O problema da maioria dos marchands agora é que estão focados mais na parte da ganância… Arte é um meio de ganhar dinheiro, e isso não é contra a arte. Em um momento ela serviu à religião, a maioria dos artistas que faziam pinturas religiosas não se importavam com a religião em suas pinturas; eles queriam as sombras e as luzes da arte. Mas deveria haver um equilíbrio.
Em sua trajetória você passou da escrita para a arte e da arte para a arquitetura, sempre encorajando a se alcançar o outro. No entanto, em sua palestra, você parece tentar alcançar o outro e ao mesmo tempo, começa a se esconder. Você está negando o artista em você?
Eu me escondo porque quando eu era uma pessoa conhecida por fazer performances, eu já não era mais apenas uma pessoa; eu estava me tornando uma estrela. Isto começou a me incomodar tanto que pensei em me disfarçar. No início dos anos 1970, eu lancei uma pequena revista – sempre falei da importância das pequenas revistas -insistindo que ela não teria nenhum critico de arte, apenas entrevistas com os artistas e textos deles, e todas as capas teriam o rosto de um artista. A idéia era mostrar que o artista é uma pessoa como qualquer outra, mas uma vez que a pessoa está na capa da revista, ela não o é mais, é como que tirada da multidão e tornada especial, um mito.
Você não pode fazer uma nova versão de Seedbed…
Não posso. Eu nunca fui capaz de repetir uma performance, porque pra mim a performance era uma prova de que eu conseguia fazer algo, portanto não faria sentido repetir algo que eu já sei que sou capaz de fazer. Minha noção de performance era quase como uma habilidade política, como executar um contrato, e isto era importante pra mim. “Eu não sei se realmente posso fazer isso, mas eu vou conversar comigo sobre isso”. E por isso muitas de minhas performances tinham eu conversando comigo mesmo: “eu quero ficar sozinho aqui no porão, eu não quero que ninguém desça ao porão comigo” (em Claim, 1971, o artista se postou na escada de acesso ao porão da galeria, segurando uma barra de ferro com os olhos vendados e reagindo à aproximação das pessoas). E é verdade que, da primeira vez que eu executei uma performance, na primeira hora, tudo o que eu queria fazer era fugir. Eu não queria que as pessoas me vissem me fazendo de bobo. Mas eu não pude. Tive que dar de ombros e achar um modo de ficar. À medida que prosseguiu, foi se tornando cada vez melhor, porque eu estava me hipnotizando. Mas aquilo foi quebrado de modo muito fácil também. Porque todas as performances têm histórias engraçadas. Inclusive, em Seedbed, eu tinha que urinar em uma garrafa. Eu também poderia ter matado alguém (em Claim); estava dizendo para as pessoas “eu vou te matar”, “eu vou te matar”, e em um dado momento eu estava balançando o corrimão, que estava frouxo, alguém disse: “Meu Deus ele está falando sério!”. Eu estava tão enfurecido que arranquei fora o corrimão; Perdi a cabeça. Esse projeto era sobre os americanos na guerra do Vietnã. Eu nasci em 1940, nasci e cresci em um tempo que os EUA deveriam ser essa nação heróica. Nós salvamos a Europa. Mais tarde percebi que os EUA eram um país criminoso.
Tradução: Geraldo Alves Teixeira Júnior
Mais Informações sobre o projeto original de Acconci para o Arte/Cidade :
http://www.pucsp.br/artecidade/novo/vito_st.htm
Sobre os projetos arquitetônicos do artista:
http://www.acconci.com
December 4, 2009
ABERTURA Da SERRALHERIA
Sábado, 5 de dezembro. Desde as 19h até 2h.
Inauguração de um novo Espaço de Arte, Cultura e Tecnologia em São Paulo ((( Serralheria ))).
Celebração por conta de BARULHO.ORG + Banda Pé na Cozinha.
Bar & Comidas ### Transthai cozinha itinerante ### Prestenção etílicos!
http://www.escapeserralheria.org
November 26, 2009
Só me pergunto se no lugar das donas de casa o novo público em potencial serão as crianças…
TVs desligadas batem recorde em novembro
25/11/09
Má notícia para empresários ligados ao setor de televisão. Dados do Ibope divulgados nesta terça-feira confirmam que o número de TVs desligadas bateu recorde no Brasil em novembro. Na primeira quinzena do mês, de cada 100 aparelhos do Brasil, somente 55 ficaram ligados entre 18h e 0h, horário nobre. Na Grande São Paulo, a média se mantém na medição.
Segundo o Instituto de medição, ao considerar o mês de novembro, o índice apresentado é o pior desde 2004 na região metropolitana de São Paulo. Em 2005, cerca de 63% das TVs ficaram ligadas no horário nobre. No Brasil, os dados de 2009 são iguais aos de 2007, ou seja, os piores em seis anos.
Segundo a coluna Outro Canal da Folha de S.Paulo, como os dias ficaram mais quentes, as emissoras já esperavam a queda na audiência nesses meses, mas o percentual está maior. Já na visão do superintendente Comercial da Rede TV!, Antônio Rosa Neto, o problema é outro. O especialista considera a queda uma tendência “irreversível e inexorável”, um movimento que, sobretudo, reflete a evolução da sociedade brasileira. “O elemento atividade faz com que as pessoas não tenham mais tanto tempo para ficar não só em frente à TV, mas no consumo de outras mídias. Essa é uma constatação óbvia até, diz”.
Rosa Neto destrincha o cenário. Segundo ele, a entrada da mulher no campo de trabalho, na década de 90, melhores condições de estudo e acesso à cultura elevam o nível da sociedade, que passa a ter outras prioridades. Isto é, os fatores contribuem para que seja cada vez mais rara a imagem da dona de casa de décadas atrás, que dedicava boa parte do tempo à TV.
Redação Adnews
November 19, 2009
Pessoalmente, eu quase não assisto TV, aberta ou paga, fora um ou outro noticiário e documentário. Mas nunca está demais refletir criticamente sobre a contribuição da TV na formação do imaginário brasileiro. Quem circula pelo interior rural do país já deve ter se deparado com a esdrúxula cena de pessoas humildes, semi analfabetas vendo o glamour urbano da novela das 21h, à luz de gerador…
do Boteco Escola de jarbas
http://jarbas.wordpress.com/2009/11/17/educacao-e-televisao/
O artigo que segue está inacabado. O autor escreveu apenas os dois primeiros parágrafos. Ficou doente e a matéria precisa ser publicada em Meios & Educação. O editor da revista quer que você termine o artigo. Mãos à obra.
Televisão e Educação
Valtinho, 06 anos, menino da Favela do Encantado é bamba em televisão. Já viu muitas Xuxas, Elianas, Gugus, Faustões, Sílvios Santos. Sabe do Ratinho e da Márcia, da novela das seis, da novela das oito, do Corujão. Viu cabeças rolarem em filmes de lutas marciais. Acompanhou câmeras de muitos canais perseguindo bandidos pelas ruas. Viu a Guerra do Iraque, massacres na Bósnia, minas assassinas em Angola, o Big Brother, o Fantástico. Passou por notícias de agitação na Venezuela, viu um presidente correndo dos índios na Bolívia. Ouviu muitas metáforas do Lula. Viu desastres, batidas, prisões e solturas do Lalau, seqüestro da filha do Sílvio Santos, filhos assassinando pais. Bateu palmas para os Mamonas Assassinas. Conheceu e esqueceu o Tiririca. Imitou o Chavez. Vez ou outra, assistiu ao programa do Jô. Em resumo, já viu, dos dois aos seis anos de idade, mais de quatro mil horas de TV. E, em muitos e muitos intervalos, acompanhou com interesse mais de oitenta mil comerciais.
Valtinho não sabe os nomes, mas tem bom olho para cortes, zoom in, zoom out, continuidade, edição, fades de todos os tipos. Está definitivamente alfabetizado em televisão. Agora é que são elas, entrou numa escola. Tem de aprender a ler e a escrever. Sua formação televisiva vai ajudá-lo ou estorvá-lo nessa aventura?
Se você quiser colaborar com textos que possam dar um fecho para esta história, mande os dois próximos parágrafos por meio de comentários a este post.
http://jarbas.wordpress.com/2009/11/17/educacao-e-televisao/
November 10, 2009
Carta à Geisy
Por Ana Paula Padrão
Acabo de ler, aliviada, a decisão do reitor da Universidade Bandeirante, a Uniban, que revogou comunicado do conselho da própria universidade de expulsão da aluna Geisy Arruda.
Achei que só me restasse esperar, vestida com minha burca, comprada no Afeganistão, a chegada dos Talebans tupiniquins. Ora, se estavam devidamente cacifados por uma instituição de ensino que deveria alimentar e disseminar na sociedade a tolerância, o respeito e outros valores democráticos, os jovens donos da moral certamente invadiriam em seguida o sambódromo para cobrir as Evas e acabar com aquela pouca vergonha.
De qualquer maneira, é preciso pensar sobre o que levou o conselho de uma universidade, que se supõe formado de pessoas esclarecidas e cultas, a acusar a aluna Geisy de ter tido uma “atitude provocativa, que buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar”. Se é assim, pensei comigo ao ler o texto, já em antecipação aos novos tempos: o que seria das praias brasileiras, quando os arautos dos bons costumes se alastrassem, primeiro pelas demais universidades, depois pelos prédios públicos, até chegarem aos locais de aglomeração popular, gritando às mulheres, chicote nas mãos, que se cubram em nome da ética?
Sim, em nome da ética, foi como justificou o conselho da Uniban a atitude de seus alunos, descrita pela nota oficial por eles divulgada, como uma “reação coletiva de defesa do ambiente escolar”.
Um arrepio percorreu minha espinha. Certamente seria eu cosiderada – por eles, os justiceiros da dignidade – inadequada aos padrões desejáveis. Não que eu saia por aí de vestido cor-de-rosa curto – meu implacável senso crítico me diz que já passei da idade. Mas um corpo docente que não admite conviver com uma saia alguns centímetros acima dos joelhos, o que achará então de uma mulher que utiliza seus melhores atributos – a inteligência, a capacidade de articulação, a cultura – para com isso declarar-se independente do julgamento de um homem que diga a ela com que roupa ir aonde quer que seja?
Ler a delirante nota do conselho da Uniban faz meu estômago revirar. A aluna Geisy Arruda, que cumpria com suas obrigações curriculares e pagava suas mensalidades em dia teria sido expulsa “em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos da dignidade acadêmica e à moralidade”. Se é isso que eles escrevem, imagino o que pensam e comentam entre si sobre uma aluna que tem todo o direito de fazer suas próprias escolhas.
Ninguém tem que achá-las bonitas, corretas, louváveis, exemplares. Mas, se já não estamos mais na idade do obscurantismo, nem em Cabul, todos temos sim, que respeitá-las. Se foi esse sentimento que motivou o reitor da Uniban a reavaliar a decisão de seu conselho, loas a ele! Mas que a história toda é assustadora pela quantidade de preconceito envolvida, não há dúvida.
http://blogs.r7.com/jornal-da-record/2009/11/09/carta-a-geisy/
November 5, 2009

Lançamento carioca do Edital nesta segunda feira, às 19h, no Parque Lage, Rio de Janeiro. Entrada Franca.
clique no flyer para + infos
October 30, 2009
Políticas da Arte – Diálogos da Arte
MAM-RJ – Dias 3 e 4 de novembro
Local: Cinemateca do MAM
Organização: MAM-RJ/Azougue Editorial
Coordenação: Frederico Coelho e Sergio Cohn
Outubro de 1968: Rogério Duarte e Hélio Oiticica organizam no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro o encontro batizado de Cultura e Loucura. Na montagem da mesa para o debate sobre os limites entre arte e contra cultura, além dos organizadores, participam Caetano Veloso, Nuno Veloso e Luis Carlos Saldanha. A idéia de Rogério e Hélio era ter também Chacrinha e Glauber Rocha, mas não foi possível. Tempos depois, Antonio Manuel lançaria um curta-metragem com os principais trechos do debate.
Outubro de 2009: o incêndio no acervo do Projeto HO desencadeia no meio das artes visuais uma série de documentos, textos pessoais, emails, cartas abertas, testemunhos e manifestos sobre a questão dos acervos de artistas e instituições. O debate gira maciçamente ao redor das condições de preservação e manutenção, das políticas públicas e privadas de financiamento, da repercussão pública do incêndio em contraponto ao descaso diário em relação a outros acervos importantes que se deterioram em nosso cotidiano. Ao mesmo tempo, passa ao largo das mídias as propostas culturais que se encontravam em gestação em torno do Projeto HO, entre elas redes digitais de artistas e criação de espaços de disponibilização ao público das reservas técnicas dos artistas contemporâneos.
Se um encontro como o aqui proposto já se fazia necessário e urgente, ao constatarmos tal massa de opiniões no espaço virtual ou nas conversas privadas, agora se torna inadiável trazer o debate de volta ao espaço público.
Reivindicando a retomada do MAM-RJ como um espaço não só de exposição de obras, mas principalmente de exposição de ideais, questões, diálogos e conflitos, convocamos a todos os personagens do universo das artes visuais da cidade – artistas, críticos, jornalistas, galeristas, donos de acervos públicos e privados, compradores, produtores, público e pesquisadores – para participarem nos dias 3 e 4 de novembro do debate Políticas da Arte – Diálogos da Arte.
O objetivo do encontro é simples: romper com a idéia estática de um seminário acadêmico e estimular a participação pública na formulação de propostas para os problemas e soluções que todos podem trazer em suas colocações. A participação da platéia será tão ou mais importante do que a participação dos nomes nas mesas montadas para estimular o debate. O resultado do encontro será registrado e documentado num caderno de propostas, a ser publicado de maneira emergencial ainda esse ano pela Azougue Editorial.
Na terça-feira, dia 3, teremos duas mesas – uma na parte da manhã (11:00) e outra na parte da tarde(14:00) – com a participação dos coordenadores do evento (Frederico Coelho e Sergio Cohn) e de representantes de acervos (Cesar Oiticica Filho e João Vergara, com mediação da crítica Daniela Name). A intenção das duas mesas é fornecer mais elementos e informações para o debate com o público presente. Também será lançado nesse dia o projeto Rede Arte Brasil, uma rede digital de artes plásticas organizada pelo Projeto HO, com explicação pública de seus objetivos e metas.
Na quarta-feira, dia 4, a intenção é promover durante a tarde (das 14:00 às 18:00 horas) um balanço das conversas do dia anterior e uma convocatória geral para todos os interessados no debate sobre os temas propostos pelo encontro. Uma assembléia geral em que a participação de todos será fundamental para ampliarmos a capacidade de ressonância do evento. Os artistas e críticos Marcio Botner, Ernesto Neto, Felipe Scovino e o curador do MAM-RJ Luiz Camillo Osório, conduzirão o debate desse dia.
Políticas da Arte – Diálogos da Arte não é somente um encontro, não é somente um seminário e vai além do velho debate entre os mesmos. É uma convocação do MAM para que todos seus parceiros e colaboradores (seja o público e a sociedade, sejam os artistas e os que se relacionam com as artes) tenham novamente voz ativa na proposição e condução das políticas que atravessam o dia a dia das artes visuais contemporâneas.
Se no espaço virtual ficou provado nas últimas semanas que a demanda por conversas, por posições e por reivindicações é intensa, chegou a hora de nos encontrarmos face a face para refundarmos um novo marco crítico e um novo espaço de ação no Rio de Janeiro.
A hora é essa. Antes do próximo incêndio.
Esperamos a presença de todos,
Frederico Coelho e Sergio Cohn
October 1, 2009


Andreas Gursky. 99 Cent, 1999


Copan, 2002
