December 2, 2011
Neste final de semana tem programação especial no Travessias, no Galpão Bela Maré.
Sábado a partir das 16horas tem performance Alexandre Sá nas ruas do Bairro e das 18-20h farei a mediação da conversa entre os artistas Matheus Rocha Pitta, Coletivo Filé de Peixe e Alexandre Sá.
No domingo, dia 04, promovo uma visita guiada à exposição a partir das 16h.
HAVERÁ VAN SAINDO DO BAIXO GÁVEA A PARTIR DAS 15:30, a cada 30 min, por r$ 8,00.
Veja a programação completa no site http://www.belamare.org.br/

November 21, 2011

No dia 26/11/2012 inaugura “Travessias”, o primeiro evento do centro de artes visuais Bela Maré, localizado no Complexo da Maré, Rio de Janeiro. O projeto é único em sua natureza e intenciona promover diálogos e experiências a partir de obras, ações e intervenções de artistas contemporâneos de reconhecida atuação no Brasil.
De 26 de Novembro às 17:00 a 18 de Dezembro de 2011
Local: Galpão Bela Maré. Rua Bitencourt Sampaio, 169 (entre as passarelas 9 e 10 da Av. Brasil), Rio de Janeiro. Entrada Franca.
O evento inclui uma série de atividades com curadoria de Daniela Labra, Frederico Coelho e Luisa Duarte como exposição, intervenções urbanas, exibição de vídeos, performances, oficinas, palestras e festas.
Artistas: Andre Komatsu, AVAF, Henrique Oliveira, Lucia Koch, Luiz Zerbini, Marcelo Cidade, Marcos Chaves, Matheus Rocha Pitta, Raul Mourão, Ricardo Carioba, Rochelle Costi, Alexandre Sá, Filé de Peixe, Michel Groisman, Davi Marcos e Coletivo Pandilla Fotográfica.
A abertura acontece às 17horas com bate papo com os curadores seguido de uma grande festa às 19horas no local. A entrada é franca.
Veja a programação de oficinas e palestras, além de dicas de como chegar no galpão Bela Maré aqui mesmo:
http://www.artesquema.com/seminario-arte-crime-insubordinacoes/travessiasbela-mare-centro-de-artes-visuaisrj/
November 11, 2011
No instigante Seminário Internacional “Reconfigurações do Público”, realizado no MAM Rio na semana que passou, ouvimos a apresentação de Oscar Muñoz, idealizador e diretor do espaço independente Lugar a Dudas, que fica em Cali, Colômbia .
Trata-se de um local aberto à aquilo que a Arte Contemporânea mais suscita e clama: a dúvida. O espaço foi criado em um bairro decadente numa casa deteriorada que sofreu várias reformas e hoje abriga este ponto de referência em pesquisa de projetos experimentais sobre arte contemporânea na América Latina.
O Lugar a Dudas promove exposições, workshops, cursos, publicações e residências para artistas e curadores, entre outras iniciativas.
Um de seus projetos é o Fotocopioteca, que disponibilza textos curtos em publicações de xerox, como a que está abaixo, com traduções de voluntários e ao preço da xerox. No site é possível baixar os mesmos textos em PDF, de graça.

http://www.lugaradudas.org/
September 19, 2011

Em meio à bolha de espetáculos e maquiagem da cidade do Rio de Janeiro, uma iniciativa se coloca como possibilidade de discutir o lado de fora do show.
No periodo de 11 a 18/09 foi realizado o encontro Cartografias Insurgentes, no Morro da Conceição – zona residencial tradicional da região do porto, que vê se aproximar o impacto dos projetos de remodelação na vida dos moradores.
Para conhecer a proposta e ver uma séire de materiais produzidos pelos que participaram, visite
http://cartografiasinsurgentes.wordpress.com/
February 20, 2011

Segue aqui esta matéria que dá uma interessante discussão sobre a questão do direito autoral e, principalmente, da apropriação e releitura dos objetos e contextos extraídos do mundo por um artista. Na prática, o fotógrafo atuou com Andy Warhol ao copiar caixas de sabão em pó e reproduzir o rótulo de sopas enlatadas para expor como fine art. Ele recontextualizou algo que circula livremente na internet de outra maneira.
No entanto, talvez o dado incômodo para quem está protestando por este profissional ter ganho um prêmio de fotojornalismo, seja mesmo o fato de que sua obra não seja intencionalmente “arte”.
O fotojornalista documentou peculiaridades (ou gafes) cometidas pelo dispositivo eletrônico que escaneia cidades realizando, de fato, fotojornalismo; importando-se mais com o dado ético do registro do que com uma possível apropriação poética. Ainda que não seja artista, o prêmio foi merecido e é interessante perceber como os jurados desses eventos devem sempre estar abertos àquilo que quebra paradigmas – como foi este caso. Por que numa Bienal de Arte Contemporânea o trabalho teria ganho muitos prêmios, só que a intenção do autor era estar em outro lugar…
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Fotógrafo alemão recebe menção honrosa no World Press Photo com imagens tiradas do Street View.
Do Globo Online
RIO – Um fotógrafo alemão causou polêmica ao receber menção honrosa no maior prêmio internacional de fotojornalismo com uma sequência de imagens retiradas do Google Street View.
Michael Wolf submeteu quatro desses trabalhos no concurso e ganhou a menção na categoria Questões Contemporâneas com a série “A Series of Unfortunate Events”, sobre imagens inusitadas no serviço de mapas em três dimensões da Google. Críticos questionam se retirar imagens de uma página na internet é fotojornalismo.
Veja dez fotos que integram o trabalho
Ele explicou seu mérito em entrevista ao “British Journal of Photograph” :
- Eu usei a câmera sobre um tripé, fotografando a realidade virtual que eu via na tela. Eu tirei um arquivo real, não peguei uma reprodução da tela. Eu movi a câmera para frente e para trás de modo a pegar um corte exato, e é disso que são feitas minhas imagens. Elas não pertencem ao Google, porque eu estou interpretando o Google, estou me apropriando do Google. Se você pegar a história da arte, vai ver que trata-se de uma longa história de apropriação
Além de polêmica, a história também é irônica, já que os conterrâneos alemães do fotógrafo são os mais ferrenhos críticos da alegada invasão de privacidade promovida pelo Google Street View. Cerca de 224 mil alemães pediram que suas casas ficassem irreconhecíveis no programa antes de seu lançamento no país.
Segundo a organização do concurso, a menção se justifica porque a missão do World Press Photo “é encorajar altos padrões profissionais de fotojornalismo e promover a troca livre e irrestrita de informação”
Wolf disse que já esperava que a decisão de submeter um trabalho desse tipo ao World Press Photo seria polêmica.
- Nosso mundo está cheio de imagens. Temos que lidar com isso, fazer uma curadoria dessas imagens e incorporá-las ao nosso trabalho. Eu acho que foi uma decisão muito corajosa do World Press – afirmou.
January 22, 2011
December 1, 2010

Fernando Reis Vianna
Parafraseando Daniel Lima, artista paulistano, damos título a este post em tempos de guerra urbana e febre midiática na cidade-símbolo do país do Samba, Futebol, Malandragem, Sexo e água fresca…
A chapa tava quente nas praias cariocas há tempos, e as cifras milionárias que circulam com o tráfico eram sabidas por todos. Mas décadas de omissão corrupta dos políticos locais permitiram que o problema se tornasse um monstro que se soltou agora. No meio da guerra, civis pobres sofrem na mão de falsos heróis. E por isso a sociedade precisa estar alerta, monitorando os passos do proclamado protetor sempre cercado por elementos de conduta duvidosa…
O tráfico de armas e drogas não vai acabar no Brasil nem no mundo, mas desejamos que o Rio de Janeiro deixe de ser o grande foco de violência, corrupção e comércio ilícito que se transformou.
Pensando neste momento, dedicamos o espaço a artistas baseados no Rio que comentam a problemática da cidade a seu modo.
(obs. arquivo em processo: aceitamos sugestões de artistas e imagens).
Ducha. Projeto Cristo Redentor. Intervenção não autorizada na estátua do Cristo Redentor, 2000

Herberth Sobral. Tráfico manda fechar o comércio, 2010

Leonardo Ramadinha. Série Ponto 30 (calibre de fuzil com capacidade para derrubar helicópteros).


Daniel Lannes. Bloco. Óleo sobre tela, 2009

Geraldo Marcolini. Série Celebridades (Marcio VP). Lã bordada sobre tela, 2002

Ronald Duarte. À Sangue Frio. Intervenção urbana, 2003.

Alexandre Vogler. Tridente. Intervenção urbana em Nova Iguaçu, RJ. Registros da repercussão da ação no Município carioca.


Raul Mourão. Drama.doc, 2003


Guga Ferraz. “Em caso de assalto” intervenções com adesivos, 2007;”Zona de conflito”, mapeamento, 2005


Paula Trope. Registro e acompanhamento do Projeto Morrinho. Comunidade do Pereirão.


Cristina Ribas. Gráfico (clique para ampliar).

Outras colaborações:
Simone Michelin. Qualia, 2010 http://www.simonemichelin.com
Fernando Reis Vianna. Texto.
http://fernandoreisvianna.blogspot.com/2009/12/o-menino-nao-gente-merda-chora-no-chao.html
Ajudaram a constituir esta seleção: Amanda Bonan, Daniela Name, Ni da Costa, Leonardo Ramadinha, Simone Michelin, Fred Coelho e outros amigos do Facebook.
July 19, 2010

Felix Ensslin, filho de Gudrun Ensslin, uma das componentes da RAF – organização terrorista de esquerda surgida em Berlim Ocidental no final dos anos 1960, também associada ao nome de Baader-Meinhoff – é co-curador de uma incômoda exposição na Alemanha que convida artistas de 3 gerações diferentes a fazerem uma leitura crítica e estética de episódios do grupo, marcados pela violência e conteúdo ideológico.
Ao mesmo tempo em que incomoda, a mostra é uma idéia ousada , e por isso interessante, de que a arte pode servir a outros interesses que não apenas o mercadológico ou politicamente correto.
Felix Ensslin, foi abandonado aos 6 meses de idade pela mãe, que entrou na clandestinidade para co-fundar a RAF. O menino foi criado num ambiente familiar bruguês e tranquilo e agora, dedicado às artes, se envolveu neste projeto, mais para discutir este episódio da história recente alemã, do que para expurgar fantasmas pessoais.
Ao menos é o que parece.
Leia a matéria na íntegra no site da BBC
‘Terror’ art” challenges Germans
May 22, 2010
Registro de Ocorrência
Perdeu playboy. A bela paisagem sob a luz de maio é o canto da sereia. Seduz com voz aveludada o incauto transeunte que como o marinheiro em alto-mar, é cooptado para um passeio de delícias em águas profundas e quebradas misteriosas. Ali, perde a vida extasiado de amor e pânico.
Sem mais metáforas, o Rio de Janeiro é a sereia: uma linda cidade em conflito consigo mesma que oferta e admira seu povo com a beleza de seu canto, para dar o repentino bote em quem se aproxima demais de alguns dos seus sedutores, mas perigosos, tesouros.
Esta exposição concisa, realizada em nobre espaço da cidade, nos traz a faceta mais incômoda da mágica sereia. Registro de Ocorrência, termo emprestado da rotina das delegacias, apresenta 11 artistas jovens que exibem, à sua maneira, percepções de um cotidiano carioca conturbado e violento, difícil de aceitar.
A idéia da mostra surgiu de uma ocorrência policial de fato. A partir dela, Jaime Portas Vilaseca engendrou a exposição de tema áspero e surpreendentemente pouco discutido na arte brasileira atual: a truculência e confusão urbana em nosso País. Os artistas foram convidados para explorar a questão, e o fizeram com sarcasmo e ceticismo, acreditando talvez que a arte não sirva apenas para acalmar as retinas cansadas, devendo também estimular o debate. Assim, a poesia se colocou como alento e escapatória, e também como via cínica de protesto de uma geração já acostumada às grades grotescas, e às epidêmicas câmeras de vigilância que cerceiam nossos olhares.
Tocar num tema tão contundente e caro para o cidadão pode induzir a uma certa literalidade das obras. No entanto, apesar desse risco percebemos um conjunto cuja potência estética-crítica vai além da mera competência de cumprir uma demanda temática. Por que o assunto é quente e a chapa também, e em meio ao fogo cruzado, a escritura sagrada da arte pode ser a única tábua de salvação para algumas almas perdidas. Será? Acreditamos que sim.
Daniela Labra

Por Fred Coelho
I – o quadro
O rio d‘janira engole. Esse pedaço encravado e improvável entre sal, areia e granito grita e canta aos quatro ventos sua impossibilidade. Sua velhacaria. Sua preguiça dadivosa. Sua genialidade gratuita. Seu desperdício de beleza. Sua fusão perfeita entre a surpresa diária da natureza e a certeza cotidiana do ódio entre classes. Uma energia sinistra, uma sarna hedonista que alimenta o esmeril e tritura o passante, uma máquina iluminada e enferrujada que afunda a cidade e nos liberta para o mundo.
Muitas vezes, porém, o carioca acredita piamente que não precisa do mundo. Basta o paredão impávido da Pedra da Gávea ou a mureta do Bar Urca e está tudo certo, e não há nada mais. Essa é a força criadora da cidade. Essa é a certeza venenosa que nos fartamos entre bravatas estéticas e silêncios sobre nossa afasia cultural. Essa crença atávica em nós mesmos, essa condescendência tropical e gordurosa com o precário → dentre os bares e as artes, dentre as aulas e as casas de festas, o precário como estilo, o arremedo como direito autoral, o projeto não como esforço inicial, mas sim como resultado e realização. Em um discurso radical e sem relativismos (pois sempre existem alternativas e caminhos divergentes), vivemos dia-a-dia a aceitação de estar ficando para trás, praticamos envergonhados e entredentes a louvação de província, valorizamos pouco o ESFORÇO SUPREMO que é preciso para ampliar as possibilidades de ações e ideias. Pois, no rio d’janira, somos reluzentes, somos a tradição cultural do país, somos personagens de novelas, somos assassinos em capas de jornais.
continua em http://objetosimobjetonao.blogspot.com/