Arte Brasileira de Quem?

Arte Brasileira de Quem?*

Na Copa as ruas ficam cheias de verde-e-amarelo e o brasileiro orgulha-se de sua nacionalidade. Futebol, dizem, é coisa nossa e o estilo do Brasil é ainda distinto. Em artigo recente neste caderno, Arthur Dapieve citava a importância que geralmente é dada no meio cultural à nacionalidade de uma obra ou autor, para então comentar como no esporte é nostálgica a noção de um estilo nacional de jogar. Uma vez que nos anos 1980 a globalização internacionalizou o mercado de trabalho e os times, os estilos foram se homogeneizando, e hoje insistir em um futebol à brasileira não faria mais sentido posto que pode-se, por exemplo, encontrar características sul-americanas em jogadores europeus e vice-versa.

Nas artes, a questão de uma identidade nacional pode trazer discussões parecidas. Em um sistema cultural globalizado que assiste à mistura e homogeneização de estéticas desde o final dos anos 1980, apontar características exclusivas da arte brasileira é no mínimo complicado. (Continua…)

Jonathas de Andrade. "40 Nego Bom é 1 real". 2013.
Jonathas de Andrade. “40 Nego Bom é 1 real”. 2013.

* Originalmente pulbicado em O Globo, Segundo Caderno, 30/06/2014.

O Espectador Emancipado

obra de luiz gonzales palma, 2007
obra de luiz gonzales palma, 2007

Neste texto fundamental Jacques Ranciére discute o teatro na contemporaneidade. Ao pensar as artes cênicas no contexto da sociedade do espetáculo, o filósofo lança uma análise que de certo modo se encaixa nas artes plásticas.

Qual é a essência do espetáculo na teoria de Guy Debord? É a externalidade. O espetáculo é o reino da visão. Visão significa externalidade. Agora, externalidade significa a desapropriação do próprio ser de uma pessoa. “Quanto mais um homem contempla, menos ele é”, diz Debord. Isto pode soar antiplatônico. É claro que a principal fonte para a crítica do espetáculo é a crítica da religião de Feuerbach. É o que sustenta aquela crítica – a saber, a idéia romântica da verdade como inseparabilidade. Mas esta própria idéia se mantém de acordo com o descrédito platônico quanto à imagem mimética. A contemplação que Debord denuncia é a contemplação teatral ou mimética, a contemplação do sofrimento provocado pela divisão. “A separação é o alfa e o ômega do espetáculo”, escreve. Aquilo que o homem contempla neste esquema é a atividade que lhe foi roubada; é a sua própria essência que lhe foi arrancada, que se tornou alheia, hostil a ele, que consente com um mundo coletivo cuja realidade não é nada além da desapropriação mesma do homem.

Tradução de Daniele Avila para a revista digital de assuntos do teatro Questão de Crítica:

http://www.questaodecritica.com.br/2008/05/o-espectador-emancipado/

¿De qué hablamos cuando hablamos de resistencia?

3nós3 1979 Ensacamento de Cabeças de Monumentos 1979 SP
3nós3, Ensacamento de Cabeças de Monumentos, São Paulo, 1979.

¿De qué hablamos cuando hablamos de resistencia? é um ensaio de Néstor Garcia Canclini onde o autor analisa aspectos da recepção da arte contemporânea nas instituições culturais e na sociedade, ao mesmo tempo em que questiona certa inconsistência no modo como a noção de resistência é defendida por artistas e outros profissionais do sistema artístico e cultural. Canclini observa que enquanto noções como Capitalismo, Pós-colonialismo e Globalização são debatidos e confrontados com argumentos sólidos, a idéia de resistência surge em contraposição como algo quase mágico e heróico, sendo parcamente analisada.

Diante desse quadro, o autor discute como a arte pode ser politicamente eficaz na sociedade, e faz um contraponto à visão de arte e política de Jacques Ranciére.
Texto em espanhol.

Disponível em  http://nestorgarciacanclini.net

Residência Phosphorus, São Paulo

Residência Phosphorus
Convocatória para artistas e gestores independentes.

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Phosphorus é um espaço para a experimentação artística. Aberto em dezembro de 2011, ocupa uma casa histórica no centro de São Paulo e se projeta no entorno urbano. Phosphorus é o desejo da criação deste lugar para o encontro, sítio de reuniões, ambiente de convivência e plataforma de desenvolvimento de projetos colaborativos. PH é uma experiência de ser livre de amarras institucionais ultrapassadas. A casa, construída em 1890, possui espaço de trabalho coletivo, ateliês temporários, espaço para residências, ambientes expositivos, escritório de economia criativa, cozinha experimental, um jardim em processo, biblioteca aberta e sala de “estar”. Sua missão é buscar e encontrar formas alternativas de independência material e mental, criando um novo modo de organização da vida em comum, para permitir-nos um constante estado de criação.

Gestão Phosphorus: Maria Montero

Rua Roberto Simonsen, 108
Centro Histórico, Sé
São Paulo Brasil
http://www.phosphorus.art.br/

“Situação” e “Deslocamento”: Workshop livre de teoria, história crítica e práticas artísticas

Renata Lucas. “Cruzamento”. Intervenção urbana, 2004

“Situação” e “Deslocamento”: Workshop livre de teoria, história crítica e práticas artísticas.

Experiência imersiva Com Daniela Labra, no Ateliê da Imagem, Rio de Janeiro

Dia 2/2 de 10h às 17h (com intervalo de almoço)
Investimento: R$200,00 (inclui almoço – prato + suco + café – no Da Cozinha Café, localizado no Ateliê)

O encontro é uma jornada estética multimídia e conceitual, que discutirá livremente os termos “Situação” e “Deslocamento” como conceitos presentes na produção de pensamento e criação na arte contemporânea. Será estimulada a análise crítica de obras de artistas como: Santiago Sierra, Francis Alys, Gordon Matta-Clark, ORLAN, Matheus- Rocha Pitta, Renata Lucas, Robert Morris, Regina José Galindo, Doris Salcedo, Cristina Lucas ente outros.

A atividade é voltada para estudantes, profissionais e público de arte contemporânea ou àreas afins, interessados em aprofundar seus conhecimentos e abordagens críticas. São requisitadas noções básicas da produção e/ou da história da arte no século XX-XXI.

A aula é acompanhada de material audiovisual. Serão apresentados textos breves e será fornecida a uma relação de fontes bibliográficas para pesquisa posterior do aluno.

+ info  http://www.ateliedaimagem.com.br

HABEAS CORPUS. FUNCIONES Y DISFUNCIONES DE LA FIGURA DEL TESTIMONIO

A prática da curadoria de arte contemporânea evoluiu para uma atividade de pesquisa avançada e proposição de reflexão crítica, que se apóia em artistas, processos e obras. Destaco esta interessante exposição coletiva inaugurada em Tarragona, Espanha, que discute o termo habeas corpus, o qual provem do latin ‘tenha teu corpo presente’, e como se definiria presencialidade hoje. Segue mais sobre a mostra:

El CA Tarragona Centro de Arte presenta una exposición colectiva con Maja Bajevic, Bleda y Rosa, Kajsa Dahlberg, Raquel Friera, Teresa Margolles, Rabih Mroué y Uriel Orlow. Se puede visitar del 28 de octubre al 6 de enero de 2013 en el Tinglado 2 (Moll de costa) de Tarragona. El CA Tarragona es un proyecto impulsado por el Ayuntamiento de Tarragona y el departamento de cultura de la Generalitat de Catalunya, con la colaboración del Port de Tarragona.

www.catarragona.net

«Habeas corpus» es una muestra colectiva, comisariada por Cèlia del Diego, que pone en relación un conjunto de proyectos artísticos que permiten abordar de manera compleja la figura del testigo. El término habeas corpus, que proviene del latín ‘ten tu cuerpo presente’, se utiliza en derecho para referirse a la institución procesal que, con el fin de proteger la libertad del detenido, lo pone inmediatamente a disposición del juez. Frente a la anunciada banalización del testimonio, a causa de la proliferación de medios de comunicación y redes sociales que convierten a cualquier persona que presencia un hecho en un enviado al centro de la noticia y en una fuente fiable de información, esta muestra convoca metafóricamente a la figura del testigo para someterla a juicio y le ofrece la posibilidad de abogar por su valor, al mismo tiempo que cuestiona su vigencia como transmisora de una verdad objetiva.

El papel de testigo es el responsable en buena parte de la información que recibimos hoy sobre lo que ocurre en el mundo. La narración de experiencias personales ha dejado de ser considerada un recurso secundario en la construcción de la historia para ocupar un lugar privilegiado y ejercer una especie de fascinación que le otorga una credibilidad y un valor que parece que no requieran comprobación, aunque a menudo los relatos están más cercanos del espectáculo que del rigor. La democratización de la accesibilidad a la información, que facilita la proximidad al lugar de los hechos, lejos de hacer realidad la aspiración moderna de la crónica objetiva, ha hecho posible la proliferación de versiones sobre el mismo suceso. Cada una de las personas que ha asistido a un acontecimiento es susceptible de proveernos de un relato sobre la verdad de éste, un relato subrayado por su condición de testigo presencial. Es así como esos relatos particulares, subjetivos y parciales apelan al crédito y la confianza del otro y comprometen valores asociados a la idea de veracidad: la evidencia, la objetividad y la intersubjetividad”.

SEGUE

Seminário Crítica da Crítica: expansões e limites do pensamento 2.0

“A internet revolucionou modos de produzir, difundir e debater cultura. Qual o papel da crítica quando todo mundo tem direito a opinião? Entre os dias 16 e 19 de outubro, sempre às 18h30, o Seminário Crítica da Crítica: expansões e limites do pensamento 2.0 vai reunir artistas, jornalistas e pesquisadores na Caixa Cultural, no centro do Rio, para discutir os desafios da crítica cultural hoje. As mesas de Música, Artes Visuais, Cinema e Literatura contarão com a fala de expoentes de cada área e o público será convidado a fazer parte do debate”.  Entrada gratuita.

Acesse: facebook.com/seminariocritica

Curso Arte Fora do Cubo 2012_nova data em Maio


Rubens Mano. Apropriação popular de intervenção urbana. Museu da Casa Brasileira, São Paulo, 2004.

Estão abertas as inscrições para a 2a edição do curso: “Arte Fora do Cubo: ações artísticas e reações políticas na esfera da Arte Contemporânea”, na EAV Parque Lage, RJ.


Os encontros discutirão práticas artísticas contemporâneas instauradas desde os anos 1960, que lidam com o limite das regras da instituição cultural ou da galeria de arte. Tais práticas se constróem na possibilidade de ressignificar contextos e espaços não-usuais para a arte, a partir de uma negociação com o aparelho institucional – o qual muitas vezes engessa e direciona a proposta do artista.

A série de encontros apresenta estudos de caso de obras e propostas, coletivas ou individuais, para discutir a experiência estética como possibilidade para levantar questões sociais, políticas e éticas.

Artistas e coletivos abordados: Hans Haacke, Gordon Matta-Clark, 3 nós 3, Marina Abramovich e Ulay, Fluxus, Nelson Leirner, Paulo Bruscky, Jenny Holzer,Yoko Ono,  ORLAN, Carlos Garaicoa, Minerva Cuevas, Regina José Galindo, Tania Bruguera, Guerrilla Girls, Santiago Sierra, Francis Alys, Daniel Buren, Yves Klein, entre outros.

assuntos relacionados: Iniciativas independentes, espaços auto-geridos, interfaces tecnológicas, sistema da arte global, novos eixos produtores de cultura.

Local:EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

Horários – 5ª feira | 19h – 21h
Data          – 10 Maio – 28 Junho

+ infos   EAV Parque Lage

 

Curso: Arte Fora do Cubo (2012.1)


Rubens Mano. Registro de apropriação popular de intervenção urbana. Museu da Casa Brasileira, São Paulo, 2004.

Estão abertas as inscrições para a 2a edição do curso: “Arte Fora do Cubo: ações artísticas e reações políticas na esfera da Arte Contemporânea”, na EAV Parque Lage, RJ.


Os encontros discutirão práticas artísticas contemporâneas instauradas desde os anos 1960, que lidam com o limite das regras da instituição cultural ou da galeria de arte. Tais práticas se constróem na possibilidade de ressignificar contextos e espaços não-usuais para a arte, a partir de uma negociação com o aparelho institucional – o qual muitas vezes engessa e direciona a proposta do artista.

A série de encontros apresenta estudos de caso de obras e propostas, coletivas ou individuais, para discutir a experiência estética como possibilidade para levantar questões sociais, políticas e éticas.

Artistas e coletivos abordados: Hans Haacke, Gordon Matta-Clark, 3 nós 3, Marina Abramovich e Ulay, Fluxus, Nelson Leirner, Paulo Bruscky, Jenny Holzer,Yoko Ono,  ORLAN, Carlos Garaicoa, Minerva Cuevas, Regina José Galindo, Guerrilla Girls, Santiago Sierra, Francis Alys, Daniel Buren, Yves Klein, entre outros.

Outros temas: Iniciativas independentes, espaços auto-geridos, a interface tecnológica, o sistema da arte global.

Local:EAV Parque Lage, Rio de Janeiro

Horários – 5ª feira | 19h – 21h
Data          – 10 Maio – 28 Junho

+ infos   EAV Parque Lage

 

Colecionismo e fetichismo: curso online

A plataforma  tallermultinacional oferece cursos on-line desde a cidade do México, sobre assuntos referentes a arte, sociedade e cultura contemporânea.  A partir do dia 20 de outurbo será ofereceido o curso “Coleccionismo e Fetichismo”

O seminário tem duração de 8 semanas e uma considerável carga horária. Portanto vale tanto quanto um curso presencial, e tem o beneficio de gerar a troca entre pessoas de países distintos:

Coleccionismo y fetichismo: Objetos, rituales, mercado y arte.
SEMINARIO ONLINE   Imparte: Cristina Ochoa.

Duración: Del 20 de Octubre al 18 de Diciembre del 2011 (8 semanas); Inscripciones: hasta el 18 de Octubre / Formato de Inscripción

Dirigido a:  Estudiantes de arte, artistas, investigadores, historiadores, curadores de arte, coleccionistas, interesados en las prácticas artísticas contemporáneas.

Descripción: El curso propone una genealogía del consumo trazada como un recorrido sociológico, desde el cual se aborda el coleccionismo como tradición colonialista; a partir del análisis de diferentes hábitos sociales relacionados con fenómenos fetichistas como el empleo y acumulación de objetos, diversas prácticas de mercado, el uso de estimulantes, alimentos y/o sustancias, y sus repercusiones en procesos de transformación políticos y culturales.

+ info  http://www.tallermultinacional.net

[email protected] / skype: taller.multinacional /  +52 (55) 55187710